Alemanha

Eventual recessão na Alemanha deverá ter impacto “pequeno” em Portugal

Linha de montagem da Porsche em Estugarda, na Alemanha. (EPA/RONALD WITTEK)
Linha de montagem da Porsche em Estugarda, na Alemanha. (EPA/RONALD WITTEK)

A Alemanha é o terceiro mercado para o comércio português de bens e serviços.

O diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCILA), Hans-Joachim Böhmer, disse à Lusa que uma eventual recessão na economia da Alemanha terá um “impacto pequeno” nas empresas alemãs presentes em Portugal.

Em 19 de agosto, o Bundesbank, banco central alemão, alertou para que a maior economia europeia, a alemã, poderá estar a recuar durante os meses de verão, depois da contração registada no segundo trimestre, o que aumenta a probabilidade de entrar em recessão.

A confirmar-se, será o segundo trimestre consecutivo de contração da economia alemã, depois de o Produto Interno Bruto (PIB) ter recuado 0,1% no segundo trimestre, o que se traduz numa recessão.

Hans-Joachim Böhmer salienta que há probabilidade de uma recessão, mas ainda é cedo para especular sobre o assunto, apontando que a Alemanha já deu indícios de estar preparada para dar estímulos à economia que contrariem os efeitos.

Relativamente ao impacto de uma eventual recessão alemã para Portugal, país onde estão contabilizadas pela CCILA 440 empresas alemãs geradoras de 50.000 empregos, o diretor executivo afirmou: “Não estou a ver um grande impacto nas empresas, será mais nas exportações”.

Hans-Joachim Böhmer manifestou-se “moderadamente positivo” sobre um eventual impacto, salientando que tal “seria pequeno”.

A Alemanha é o terceiro mercado para o comércio português de bens e serviços, tendo representado 10,8% das exportações totais em 2018 (segundo fornecedor com 13% das importações), segundo dados disponíveis na página ‘online’ da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

O responsável salientou que, no que diz respeito a postos de trabalho em Portugal, não deverá haver impacto, uma vez que as empresas alemãs “valorizam muito os seus trabalhadores e mão-de-obra qualificada”.

A estrutura de investimento alemão em Portugal é maioritariamente industrial.

Böhmer recordou que durante o período de austeridade, muitas das empresas transferiram os seus trabalhadores para outras unidades do grupo — como é o caso da Autoeuropa –, evitando, assim, redução dos postos de trabalho.

No que respeita ao turismo, o diretor executivo da CCILA sublinhou que “os gastos com viagens são dos últimos que os alemães cortam”, pelo que, mesmo que haja uma recessão, isso não terá impacto na captação de turistas oriundos daquele mercado por Portugal.

“Estou convencido de que o turismo alemão não vai mudar muito”, afirmou.

Relativamente ao setor dos centros de competência e serviços, “não estou a ver um recuo do investimento, nem do emprego em Portugal”, prosseguiu.

Também “não estou a ver uma inversão do investimento” nesta área, acrescentou.

O diretor executivo adiantou que a Alemanha terá medidas para mitigar os efeitos, caso venha a verificar-se uma recessão económica, embora até ao momento não haja detalhes específicos sobre o assunto.

Medidas como a eliminação do imposto de solidariedade que é pago desde 1991 pela grande maioria dos alemães ocidentais para suportar os custos da reunificação do país, a qual terá um impacto de 10 mil milhões de euros, poderão ser antecipadas caso o abrandamento económico se confirme.

O recurso a ‘lay-off’ [suspensão temporária] e formação como forma de evitar o desemprego são outras medidas que Berlim poderá vir a implementar.

Segundo o responsável, caso a recessão se concretize, a Alemanha estará preparada para mitigar eventuais impactos.

Quarta maior economia mundial, a Alemanha é considerada um dos países industrializados mais desenvolvidos e competitivos.

Berlim é o terceiro exportador de bens e serviços a nível mundial, segundo dados de 2018.

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