Comércio internacional

Excedente comercial nacional afunda mais de 68% no 1º semestre

Turismo. Fotografia: REUTERS/Nacho Doce
Turismo. Fotografia: REUTERS/Nacho Doce

Défice da balança de mercadorias aumentou 19%, mais do que a subida de 10% no excedente da balança de serviços, indica o BdP.

A economia portuguesa ainda tem um excedente na balança de bens e serviços, mas este emagreceu uns significativos 68,3% no primeiro semestre deste ano face a igual período do ano passado, indicam cálculos do DV com base em dados do Banco de Portugal (BdP), divulgados esta terça-feira.

O défice da balança de mercadorias aumentou mais de 19%, para 6.673 milhões de euros. Mas a balança de serviços ainda conseguiu compensar, sobretudo com ajuda do turismo, tendo este excedente dos serviços aumentado mais de 10%, para 6.758 milhões de euros.

Tudo somado, significa que a balança comercial global (bens e serviços) passou de um excedente de 584 milhões de euros no primeiro semestre de 2017 para apenas 185 milhões na primeira metade deste ano.

Isto é, a folga comercial diminuiu mais de 68%, o que significa que a economia portuguesa está cada vez mais dependente das importações. O forte aumento do turismo (que é registado como exportação) evitou que Portugal entrasse já em défice comercial.

Défice externo duplica

Esta dinâmica ajudou a que o défice externo (balança corrente, onde está a comercial, e de capital, onde estão os rendimentos e o investimento direto) duplicasse em apenas um ano.

Esse défice era de 836 milhões de euros no primeiro semestre de 2017 e agora já vai em 1.678 milhões de euros, diz o BdP. O mesmo que dizer que o desequilíbrio da economia piorou de 0,9% do produto interno bruto (PIB) para 1,7%, indica a instituição de Carlos Costa.

Exportações totais mais lentas que as importações

No entanto, os dados do banco central mostram claramente que as compras de bens ao estrangeiro estão a ir mais rápido do que as exportações, o que explica a degradação dos termos comerciais.

Mas, mesmo somando o lado dos serviços (onde as exportações são mais dinâmicas que as importações) não chega. As compras totais de Portugal lá fora estão a ir bem mais rápido do que as vendas.

“Até junho, as exportações de bens e serviços cresceram 7% (6,8% nos bens e 7,4% nos serviços). As importações aumentaram 8,1% (8,9% nos bens e 4,5% nos serviços)”, refere o banco central.

Segundo o Banco de Portugal (BdP), “em comparação com igual período de 2017, as balanças de bens e de serviços tiveram evoluções distintas”.

“O défice da balança de bens aumentou 1062 milhões de euros enquanto o excedente da balança de serviços cresceu 662 milhões de euros, essencialmente devido à rubrica de viagens e turismo, cujo saldo passou de 3953 milhões de euros para 4637 milhões de euros”.

(atualizado às 12h30)

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