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Excedente externo encolheu para um terço em 2018

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É o pior registo desde que Portugal conseguiu um excedente em 2012. Pagamentos antecipados ao FMI melhoram balança financeira.

No início deste ano, o ministro da Economia disse, numa entrevista à estação norte-americana CNBC que o excedente externo deixava Portugal em “boa forma”. Com os dados conhecidos esta quarta-feira, o país terá de voltar ao ginásio para ganhar músculo.

De acordo com a informação estatística do Banco de Portugal (BdP), “em 2018, o saldo conjunto das balanças corrente e de capital fixou-se em 903 milhões de euros, montante inferior aos 2699 milhões de euros registados em 2017”, refere o supervisor. Ou seja, representa um terço do valor do ano passado. Em percentagem do PIB, em 2018, o excedente do saldo externo foi de 0,4%, muito abaixo do valor de 2017 que se fixou em 1,4% do PIB.

O excedente externo mede o equilíbrio entre a economia portuguesa e o exterior. Quanto maior for o valor melhor o país se encontra, daí a importância que Pedro Siza Vieira referiu na entrevista à CNBC, no Fórum Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro deste ano.

O valor agora revelado pelo BdP é o mais baixo desde 2012 quando Portugal conseguiu o primeiro excedente externo desde 1995. Em plena crise económica, e com sucessivas recomendações da troika, o país fechou com um superavit face ao exterior de 0,3% do PIB. Em 2013 atingiu o valor mais elevado, tendo-se mantido a rondar 1,3% a 1,4% do produto interno bruto. Até 2018, em que caiu para 0,4% do PIB.

Fonte: Banco de Portugal

Fonte: Banco de Portugal

O Banco de Portugal explica que esta queda se ficou a dever à evolução de duas componentes. “Esta evolução foi determinada pelas balanças de bens e de rendimento primário (dividendos pagos ao exterior), parcialmente compensadas pela balança de serviços”, refere o BdP.

Pagamentos ao FMI melhoram balança financeira

As amortizações antecipadas ao Fundo Monetário Internacional (FMI) serviram para melhorar a posição de Portugal. “De janeiro a dezembro de 2018, o saldo da balança financeira registou um aumento dos ativos líquidos de Portugal face ao exterior de 1448 milhões de euros. Esta evolução resultou, essencialmente, da redução de passivos das administrações públicas com a amortização antecipada de 5391 milhões de euros, no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira e do aumento dos ativos sobre o exterior dos bancos e das sociedades de seguros com o investimento em títulos de dívida emitidos por não residentes”, refere o BdP.

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