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Expo é a zona do país com mais empresas por metro quadrado

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Todos os dias entram no Parque das Nações cerca de 30 mil pessoas para trabalhar

Passou pelo Danúbio, subiu ao Pólo Norte e até tentou a sorte em Neptuno. Guida Oliveira conhece de cor o nome das ruas do Parque das Nações, tantas foram as voltas que por lá deu. Ao fim de um ano de busca, a empresária encontrou o que procurava. Desde fevereiro que é proprietária de 30 metros quadrados numa das zonas mais caras da cidade. É também graças a Guida que a zona da antiga Expo é a freguesia do país com mais empresas por metro quadrado.

“Queria mesmo que a loja fosse ali, nem considerei outras zonas da cidade. Às vezes há sítios tão centrais que nem conseguimos lá chegar. Aqui os acessos são muito fáceis e essa foi uma condição fundamental para a escolha”, conta ao DN/Dinheiro Vivo Guida Oliveira, que há pouco mais de dois anos fundou com a irmã, Josefa, a Dressy Project, uma empresa que presta serviços de consultoria de imagem.

A busca pelo espaço perfeito não foi um passeio no parque. “Foi difícil. Os preços estão muito inflacionados, chegam a ser incomportáveis, não só na habitação como no comércio. Os espaços que vimos variavam entre três mil e cinco mil euros por metro quadrado”, conta Guida Oliveira, que não disfarça uma ponta de vaidade na voz quando diz às clientes qual a morada da loja. “É uma zona nobre, com prestígio”.

 Guida Oliveira, fundadora do Dressy Project. (Gonçalo Villaverde / Global Imagens)

Guida Oliveira, fundadora do Dressy Project.
(Gonçalo Villaverde / Global Imagens)

No início de maio, eram mais de 3400 as empresas com sede ou escritório no Parque das Nações, segundo dados fornecidos ao DV/DN pela Informa D&B (ver infografia). Quase 40% são do setor dos serviços. Hoje, já há 360 mil m2 de escritórios. Em 2016 estavam sediadas na freguesia, que estende por cinco quilómetros entre Braço de Prata e Sacavém, 23 grandes empresas.

Vodafone, Novabase, CTT, Microsoft ou Axians são algumas das ocupantes da antiga Expo que jogam na liga das grandes, ou seja, faturam mais de 50 milhões de euros por ano. Questionadas sobre os motivos da escolha da Lisboa Oriental respondem em sintonia: “bons acessos” e “centralidade”.

“Muitos dos acontecimentos chave em Portugal, e até na Europa, dentro e fora da tecnologia, acontecem hoje nesta zona nobre da cidade. Respira-se um ambiente de sofisticação e centralidade cosmopolita, com enorme diversidade de ofertas e serviços, requisitos que consideramos fundamentais. A proximidade do aeroporto, para além da Gare do Oriente, são chave para quem anda em permanente viagem, numa rede de cobertura global”, sublinha Fernando Rodrigues, Diretor Executivo da Axians Portugal, que desde 2017 é responsável por 110 postos de trabalho no Parque das Nações.

A Junta de Freguesia mais jovem da capital estima que, no total, sejam cerca de 30 mil os “forasteiros” que todos os dias entram na zona da Expo para picar o ponto. Na prática, é como se diariamente dessem entrada no Parque das Nações todos os habitantes de cidades como Lagos, Fundão ou Santiago do Cacém.

Só o Centro Comercial Vasco da Gama e o Campus de Justiça empregam em conjunto cerca de cinco mil pessoas.

A realidade ultrapassou as expectativas da Parque Expo, a sociedade extinta em 2016 que foi responsável pela gestão da zona de intervenção, e que em 2002 estimava que as empresas e serviços do Parque das Nações tinham potencial para criar 22,5 mil postos de trabalho.

O Parque antes da Expo

Margarida Barros chegou ao bairro quando o Parque ainda era Expo, em maio de 98. Comprou casa e abriu uma livraria, onde os miúdos que vinham comprar os livros para a escola hoje voltam com os filhos pela mão. É uma das mais de 1600 microempresárias da zona e o estatuto de celebridade do Parque nas Nações já ninguém lhe tira. “Quando vou caminhar ou passear ao centro comercial tenho de ir de cabeça baixa se não tenho de falar a toda a gente”. Margarida viu a “pequena aldeia” do final da década de 90 crescer para cima e para os lados nos últimos 20 anos. Já não chegou a tempo de ver o que havia antes.

“Era essencialmente uma zona de companhias de petróleo, a Expo foi uma boa forma de revitalizar aquela área. Acho que aprendemos com a experiência da Expo de Sevilha, que no fim ficou um espaço abandonado. Por cá conseguimos acabar com uma zona poluída e fazer dela um centro de empresas, hotéis e restaurantes com um impacto económico muito grande para o país”, sublinha a economista Estela Barbot, que na Expo 98 foi a Comissária responsável pelo pavilhão da Guatemala.

Da pré-história da Expo hoje só resta a Torre da Galp, monumento simbólico do tempo em que nas margens do Tejo se refinava petróleo. De acordo com os registos da Parque Expo, a área ribeirinha entre Cabo-Ruivo e o rio Trancão albergava em 1993 mais de 100 empresas, a maior parte delas indústria e armazenagem de petróleo e gás, e empregava 3130 pessoas. Só três das empresas tinham mais de 100 trabalhadores.

Os dados da Informa D&B permitem ver mais longe no tempo: as empresas nascidas na zona da Expo antes de 1998 tiveram, ao longo de várias décadas, mais de 44 mil empregados e geraram um volume de negócios na ordem dos 3,7 mil milhões de euros.

Em 20 anos, foi-se o petróleo e vieram os hotéis. E o metro quadrado de terra batida transformou-se numa mina de ouro do imobiliário.

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