Portugal exporta 1,683 mil milhões de euros em frutas e legumes. Cresce 4,4%

Espanha continuou a liderar os destinos das exportações portuguesas desta fileira, representando 32,9% do total das vendas,

Portugal exportou 1,683 mil milhões de euros de frutas, legumes, plantas ornamentais e flores o ano passado, uma subida de 4,4% face ao ano anterior em valor, em contraciclo com a generalidade dos setores da economia nacional, apesar da ligeira queda em volume, de acordo com os dados do INE. Espanha, França, Países Baixos, Reino Unido e Alemanha foram os cinco principais mercados destino.

"São números muito positivos para este que é um setor campeão da economia nacional, mais considerando o contexto de pandemia que o mundo atravessa. O investimento que tem sido feito na fileira e a aposta dos produtores em modernizar todo o sistema de produção têm possibilitado crescer e melhorar sistematicamente, ao longo dos últimos dez anos, o que faz com a produção de origem portuguesa seja hoje um fornecedor de excelência, tanto para o mercado europeu como para a América e Ásia. A agricultura precisa de acelerar a sua transição para o digital para fazer face ao contexto pandémico, que irá persistir globalmente ao longo de 2021, e continuar a percorrer o caminho da diversificação de mercados e de conquista de outras geografias", defende Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh.

O ano passado, além a subida em valor das exportações, o preço por quilo também subindo 5,3% face ao ano anterior, apesar da ligeira descida de 0,9% das exportações em volume, para 1.589 mil toneladas.

"Para assegurarmos competitividade futura, precisamos de continuar a garantir investimento em inovação e tecnologia em toda a cadeia de valor, que deve ser acompanhado por investimento público estratégico em infraestruturas, designadamente os respeitantes à gestão eficiente da água, um recurso imprescindível para a agricultura e que requer uma utilização racional e sustentável", diz ainda o responsável da associação para a promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal.

Gonçalo Santos Andrade mostra-se otimista em relação em 2021, apesar de a pandemia não estar a dar tréguas às economias.

"As principais economias continuam em confinamento e as previsões de recuperação económica têm sido consistentemente revistas em baixa. Pelo que este novo ano terá, certamente, muitos desafios pela frente, a começar pela previsível redução do rendimento das famílias - em Portugal, mas também nos nossos mercados de destino - que, nos próximos tempos, poderá ditar a retração do consumo e, portanto, impactar nas vendas", diz.

"Ainda assim, pela aposta que os produtores nacionais têm feito na modernização das suas culturas e na diversificação da sua oferta, indo ao encontro das necessidades dos consumidores, acredito que manteremos a tendência de crescimento. Os consumidores podem estar, por isso, tranquilos: vão continuar a ter acesso a produtos de qualidade, frescura e de elevada segurança alimentar, permitindo-lhes uma dieta saudável e equilibrada. Assim, estaremos mais próximos de cumprir aquela que é a nossa meta para 2030: atingir 2,5 mil milhões de euros em exportações. A próxima década será certamente desafiante, mas temos a resiliência e visão necessárias para manter o rumo do crescimento."

Exportações sobem 115% em dez anos

Na última década, a fileira das frutas, legumes e flores viu crescer as exportações mais de 115% em valor (passando de 780 milhões para os atuais 1.683 milhões de euros).

Espanha continuou em ano de pandemia a ser o maior mercado recetor de frutas, legumes e flores e nacionais, tendo comprado 553 milhões de euros, valor que representa mais de um terço do valor total das vendas (32,9%), seguida de França com 12,8% (216 milhões de euros) e dos Países Baixos com 10,4% (174 milhões de euros).

O Top 5 fecha com o Reino Unido, com 9,1% (153 milhões de euros), e Alemanha com 7,1% (119 milhões de euros).

A União Europeia pesa 78% das vendas da fileira ao exterior, com os países terceiros a representar 22% das exportações (365 milhões de euros). Um dinamismo que permitiu melhorar o equilíbrio da balança comercial da fileira, que passou de 91,8% em 2019, para 94,7% no final de 2020.

Citrinos aumenta envios 52,8%

Particular destaque para as frutas, que vale cerca de metade das exportações (47%), ou seja 793 milhões de euros, mais 1% que em 2019, seguido do segmento dos preparados de frutas e legumes, que pesa agora 28% das vendas ao exterior (467 milhões de euros), crescendo igualmente 1% face ao ano anterior.

As plantas ornamentais e flores, apesar de serem o subsetor mais fustigado pelos efeitos do confinamento para travar a pandemia, mantiveram o peso de 6% no total de exportações (107 milhões de euros). Já os legumes recuaram 2%, para 19% no total das vendas da fileira ao exterior (217 milhões de euros).

Na fruta, os pequenos frutos (framboesas, amoras, mirtilos, morangos e groselhas) continuam a liderar as exportações o ano passado - subiram 5,5% as vendas, para 246,6 milhões de euros - seguidos do tomate processado, que acumulou vendas de 238,3 milhões (mais 19,3%), e dos citrinos, que somaram 178,7 milhões (tendo subido 52,8% em relação ao ano anterior). Só as exportações de laranja subiram uns impressionantes 72%, valendo 127 milhões de euros.

(notícia atualizada às 11h39)

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