Exportações de gasolinas, carros, calçado e roupa perdem com a covid, mas há quem ganhe bem

Défice agravou-se em 2021. Mas há claros ganhadores nesta pandemia: as vendas de alimentos e bebidas, produtos metálicos, químicos e de borracha subiram face a 2019.

As exportações totais de mercadorias cresceram 6% em 2021 face ao nível anterior ao da pandemia (e 18% face a 2020, ano em que afundaram mais de 10% por causa das restrições e dos confinamentos).

Esta quebra de 10% em 2020 (a que se juntou a grave crise nas vendas de serviços, como o colapso ou interrupção do turismo e das viagens) foi a pior marca desde a outra crise, de 2009, altura do último recuo (na ordem dos 18%).

Ainda assim, mesmo com as exportações a recuperarem, o país continua muito deficitário em termos comerciais já que as importações também voltaram a crescer a bom ritmo no ano passado, mostram dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados ontem.

Em 2021, as compras lá fora cresceram mais do que as exportações e o défice comercial (diferença entre vendas e compras em proporção do produto interno bruto ou PIB) subiu para os 9%, segundo contas do Dinheiro Vivo.

Em todo o caso, os sinais genéricos do comércio internacional mostram que o pior pode já ter passado, o que constituirá uma ajuda à retoma da economia e do emprego e à redução dos rácios do défice público e da dívida, como desejam as autoridades.

Mas, quando se olha para a realidade em detalhe, há ainda muitas diferenças e velocidades na dita retoma. Depende muito dos setores em causa.

De acordo com cálculos do Dinheiro Vivo a partir dos dados ontem publicado pelo INE, as exportações de carros (veículos automóveis), combustíveis, calçado, artigos de pele e roupa (vestuário) são as grandes perdedoras quando se faz um primeiro balanço destes dois anos de pandemia (diferença entre valor exportado em 2019 e 2021).

São estes alguns mercados que, pode dizer-se, ainda estão longe de recuperar do impacto da pandemia covid-19.

Como referido, as vendas totais das empresas exportadoras portuguesas alcançaram os 63,5 mil milhões de euros no ano passado, o que representa um ganho de 3,6 mil milhões de euros (mais 6%) face a 2019.

Esta recuperação teria sido maior (ou melhor) se não houvessem grandes dificuldades e travões. Segundo o INE, o maior dano parece ter vindo da indústria automóvel, cujas exportações afundaram mais de 13% quando se compara com o ano antes da pandemia, perdendo 1,2 mil milhões de euros.

Mesmo com a subida dos preços, é de destacar o afundanço de quase 9% nas vendas para fora de coque (derivado do carvão mineral) e combustíveis refinados. Esta rubrica está 285 milhões de euros abaixo do nível pré pandémico.

Analisando os dados mais finos da base de dados do INE, uma das explicações para este atraso, mesmo com os preços da energia em alta, é que se vende efetivamente menos combustíveis para fora.

Por exemplo, esses dados indicam um colapso nas compras de jet fuel (combustível para aviões comerciais), o que faz sentido já que as rotas aéreas ainda estão muito longe do que existia em 2019.

Os sapatos e artigos de couro mais o vestuário são outros dos grandes perdedores da pandemia. Aqui, nestes dois mercados, as exportações estão mais de 220 milhões de euros abaixo do nível anterior à crise.

A subir

Depois há o outro extremo. São os ganhadores. Aqui aparecem as vendas ao exterior de produtos metálicos, químicos, comida e bebidas, plásticos e borracha, máquinas e equipamentos. São dos que mais ganham face a 2019, ou seja, já mais que se recompuseram dos efeitos do coronavírus nas economias e nos mercados.

Portugal está a exportar mais 41% em metais de base do que antes da pandemia, o que dá um ganho superior a 900 milhões de euros face a 2019.

Os produtos químicos também estão em forte alta, 840 milhões de euros acima do patamar pré pandémico.

Portugal também está a exportar muito mais alimentos e bebidas. O acréscimo nestas exportações supera os 710 milhões de euros face a 2019.

O INE refere que "no conjunto do ano de 2021 as exportações e as importações de bens aumentaram 18,1% e 21,1%, respetivamente, em relação ao ano anterior, o que representa uma forte aceleração face aos decréscimos verificados em 2020 (-10,3% e -14,8%, pela mesma ordem)".

Comparativamente com 2019, "as exportações e a importações apresentaram acréscimos de 6% e de 3,2%, respetivamente", o que acaba por ser, nesta parte, um bom sinal. Expurgando o ano da pandemia, as exportações até estão a andar mais rapidamente do que as compras ao estrangeiro.

O instituto explica, no entanto, que "esta evolução resulta em parte da variação de preços, que de janeiro a novembro registaram, face ao mesmo período do ano anterior, acréscimos de 7,1% nas exportações e 8,6% nas importações". Isto é, excluindo os produtos petrolíferos, as variações registadas foram mais modestas, "de 5,6% e 5,1%, respetivamente".

Por destinos, Espanha, Alemanha, França, Itália consolidam-se como os melhores clientes de Portugal. Comparando agora com 2020, as vendas de mercadorias para o mercado alemão cresceram quase 10%, Espanha comprou mais 24% em 2021, França mais 14%, Itália reforçou com um aumento de 21%.

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