Exportações de vinho crescem 13%, a taxa mais alta desde 2000

Até agosto, Portugal vendeu ao exterior vinhos no valor de 581,3 milhões de euros, são mais 66,8 milhões que em 2020. Na última década, a taxa média de crescimento rondou os 3,3%.

Os vinhos portugueses estão na moda e os números das exportações provam-no. Nos primeiros oito meses do ano, Portugal exportou mais de 215 milhões de litros, no valor de 581,3 milhões de euros, o que representa um crescimento de 8,6% em volume e de 12,99% em valor. O preço médio subiu 4,04% para 2,70 euros por litro.

A manter-se esta tendência, o que não é difícil dada a importância dos últimos meses do ano para o setor, este será o ano de maior crescimento do milénio. "Os dados mostram uma trajetória em agosto muito semelhante à que temos tido este ano, com um crescimento fora do normal, de quase 13% em valor, o que mostra bem a dinâmica do setor", diz o presidente da ViniPortugal ao Dinheiro Vivo.

Os números são os do INE e permitem antecipar que a meta dos mil milhões de euros de vendas ao exterior que a ViniPortugal estabeleceu para 2023 possa já ser alcançada no próximo ano. "A menos que houvesse uma grande reviravolta no próximo ano, e que nada faz crer que possa acontecer, vamos claramente atingir os mil milhões de euros de exportações mais cedo que o previsto. O nosso crescimento médio nos últimos dez anos foi de 3,3% e, mesmo em 2020, um ano de retração no comércio mundial de vinhos, Portugal conseguiu voltar a crescer; só dois países cresceram em volume e em valor em 2020: Portugal foi um, a Nova Zelândia o outro", explica Frederico Falcão.

Este responsável elogia o trabalho realizado pelas empresas ao nível da valorização dos seus vinhos. "O crescimento do preço médio mostra-nos que o setor procura tornar-se cada vez mais sustentável do ponto de vista económico, não vendendo os seus vinhos a qualquer custo", frisa. Em termos de mercados, são os destinos extracomunitários que estão a puxar mais pelas exportações de vinho, com um crescimento de 16,27% para 311,6 milhões de euros. Na Europa, o crescimento é mais modesto e fica-se por 9,42%, correspondentes a vendas totais de 270 milhões de euros. Mas a União Europeia, em geral, paga melhor pelos vinhos nacionais: o preço médio é de 2,75 euros o litro, contra 2,66 euros nos mercados extracomunitários.

Os vinhos portugueses estão em franco crescimento praticamente em todos os seus principais destinos, com exceção de Angola, que já foi o maior mercado importador de vinho português, mas tem vindo a cair, ano após ano, e é agora o 12.º maior mercado, mas com 13,8% de quebra face a 2020. A Noruega e o Luxemburgo estão, também, a comprar neste ano menos às empresas nacionais (-3,13% e -4,19%, respetivamente), mas Frederico Falcão acredita que se trata de quebras pontuais e que serão rapidamente recuperadas. Ao contrário de Angola, onde a tendência é para que as perdas continuem.

Em termos absolutos, Brasil e Estados Unidos são os dois mercados que mais impulsionam as exportações nacionais este ano, com um crescimento, respetivo, de quase 10 e 9 milhões de euros. Os EUA são o segundo maior mercado importador dos vinhos nacionais, tendo comprado quase 20 milhões de litros, no valor de 72 milhões de euros. É um aumento de 11,13% em quantidade e de 14,11% em valor. O preço médio de exportação para os EUA é de 3,60 euros/litro, um dos mais altos do mundo, a par do Canadá (3,70 euros), México (3,74 euros), Taiwan (4,98 euros), República da Coreia (6,02 euros) e Hong Kong (7,96 euros).

Já o Brasil está a crescer 29,37% em volume e 26,77% em valor, com compras totais de 17,4 milhões de litros, no valor de 46,7 milhões de euros. Mas no topo da tabela dos maiores importadores de vinho português continua a estar França, muito impulsionada pelo vinho do Porto. Portugal exportou, este ano, quase 28 milhões de litros de vinho para França, no valor de 75,3 milhões de euros. O preço médio é de 2,71 euros/litro. Retirado o efeito "Porto", França cai para a sexta posição, com 15,7 milhões de litros no valor de 26,7 milhões de euros.

Em termos de denominações de origem, o vinho do Porto é sem dúvida a que mais cresce, ultrapassando já os valores de janeiro a agosto de 2019, ou seja, o período pré-pandemia. Só o vinho do Porto é responsável por 188 milhões de euros exportados, um aumento de 10% face a 2019 e de 20% comparativamente a 2020. São mais 17 milhões exportados do que no período pré-pandemia, e mais 30,5 milhões face a 2020.

Seguem-se as exportações de Vinho Verde, que estão a crescer 13,3% para 58,4 milhões; os vinhos do Douro, com um acréscimo de 20,16% para 45,6 milhões, e o Alentejo, que vendeu 42,4 milhões ao exterior, mais 11,59% do que em 2020. Todas as regiões vitivinícolas estão a reforçar as suas posições nos mercados externos, com exceção do Dão, da Beira Interior e das Beiras.

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