Exportações: negócios que cresceram e os que caíram na crise da covid

As exportações de bens caíram mais de 10% em 2020, mas houve empresas que conseguiram vender mais ao exterior do que no ano anterior e outras que perderam peso no total nacional.

A crise não teve um impacto igual em todas as atividades e isso também se vê pela recomposição, ainda que ligeira, das exportações nacionais de bens ao longo do ano passado. Houve categorias de produtos que perderam e outras que ganharam em termos de valor vendido ao exterior.

A fileira agroalimentar conseguiu ganhos significativos, comparando com 2019, mas houve outros bens que também conquistaram espaço no meio da maior crise mundial das últimas décadas. O produto interno bruto dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos recuou 4,9% em 2020, a maior contração desde 1962. É neste grupo de 37 Estados-membros que se concentram grande parte dos clientes das exportações nacionais.

Para avaliar o impacto da pandemia global nas vendas ao exterior, selecionámos apenas o grupo de bens por capítulo da nomenclatura combinada (NC2) que mais peso têm nas exportações portuguesas. No lote integrámos os produtos com uma proporção acima de 1% no total das vendas e que representam 79% das exportações totais. Desta forma, eliminámos alguns itens que apesar da sua fraca importância histórica nas vendas totais, tiveram variações muito acentuadas no ano passado face a 2019.

Da roupa de casa aos remédios

Considerando o valor das vendas e o peso relativo no total exportado, a análise feita pelo Dinheiro Vivo mostra que foram os produtos designados como "outros artefactos têxteis" que conseguiram um ganho mais significativo tanto em valor como em crescimento percentual face a 2019. Nesta categoria cabem sobretudo bens para a casa, como colchas, toalhas, lençóis, incluindo para uso hospitalar e outras roupas de cama.

Nesta categoria de produtos, as empresas conseguiram vender ao exterior o equivalente a mais 122,7 milhões de euros do que em 2019, correspondendo a uma variação de 19,1%. Mas este grupo tem um peso nas exportações relativamente pequeno (apenas 1,4% do total), apesar de ter subido 0,3 pontos percentuais.

A segunda categoria de produtos que conseguiu ganhos em termos de valor durante o ano da pandemia foi na fileira dos produtos farmacêuticos, o que é compreensível num ano de crise sanitária. Neste grupo estão os medicamentos, mas também alguns equipamentos e reagentes para análises. Ao contrário do anterior grupo, este já tem um peso considerável nas exportações totais e reforçou-o no ano passado, passando de 1,9% para 2,3%. Em 2019, as vendas totalizaram 1,1 mil milhões de euros, no ano passado subiram para 1,2 mil milhões de euros. Uma diferença de 106 milhões de euros, o que representa uma variação de 9,6%.

A fechar o pódio dos produtos que aumentaram o valor encontra-se o tabaco, cujas vendas ao exterior aumentaram quase 80 milhões de euros, representando um acréscimo de 13,1% face a 2019. Contudo, estes produtos têm pouco peso nas exportações totais, de apenas 1,3% (era de 1% em 2019).

Combustíveis, moda e carros

Do outro lado da balança estão os produtos que mais perderam em termos de valor de vendas ao exterior. No topo estão os combustíveis, o que é compreensível face às medidas de restrição de movimentos em todo o mundo. A queda foi de 32,2% do montante de vendas face a 2019, representando menos 1,2 mil milhões de euros. Esta categoria de produtos vale 4,6% do total de exportações.

No ranking dos que mais caíram, segue-se o "vestuário, exceto malha", onde cabem produtos como camisolas, camisas, blusas, calças, de lã, algodão ou fibras sintéticas. A queda foi de 25,5%, representando menos 252 milhões de euros do que em 2019.

Mas, pela importância que tem no total das exportações, o rombo mais significativo veio dos veículos automóveis. A variação homóloga foi de -17%, mas representou uma quebra de 1,5 mil milhões de euros. No ano passado, este segmento teve um peso de 13,9% nas vendas totais ao exterior, mas perdeu face a 2019 quando valia 15%.

A importância do setor automóvel nas vendas nacionais mede-se pelo facto de nas dez maiores exportadoras, oito pertencerem a esta atividade e, no ano passado, estas empresas perderam peso, passando de 22% em 2019 para 18,4% em 2020. Neste lote encontram-se Autoeuropa (que se manteve como a maior exportadora nacional), a Bosch, a Continental, a Faurecia, a PSA, a Visteon, a Aptivport e a Eberspaecher, esta última uma estreia neste ranking.

De resto, as exportações de peças para carros recuaram 10,8% em 2020. O envio para o estrangeiro de componentes para automóveis valeu 8,6 mil milhões de euros, ou seja, o valor mais baixo desde 2017.

Já a lista dos maiores clientes manteve-se idêntica. As alterações só aconteceram já depois dos dez primeiros, com a Suíça a subir um lugar, de 13º para 12º, trocando de lugar com Marrocos e a Suécia subiu duas posições, de 16º para 14º. A China desceu do 14º para 15º lugar no ranking dos países clientes dos bens portugueses.

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