INE

Exportações travam até 3,6% e défice comercial dispara em 2019

contratos públicos exportações
O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos (E), o seu secretário de Estado Adjunto, Alberto Souto de Miranda (D), e CEO da PSA Sines, Gobu Selliaya (C), no Porto de Sines. Fotografia: TIAGO CANHOTO/LUSA

Ritmo das exportações de mercadorias perde força, descendo de 5,1% em 2018 para 3,6% em 2019. Défice comercial já vai em 20,4 mil milhões de euros

“No conjunto do ano de 2019, as exportações e as importações de bens aumentaram 3,6% e 6,6%, respetivamente (+5,1% e +8,1% em 2018), tendo o défice da balança comercial de bens aumentado 2842 milhões de euros”, indicou o Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira.

O ritmo das exportações de mercadorias no ano passado (3,6%) é o mais baixo desde 2016, ano em que quase estagnaram (0,8%).

As importações também perderam fôlego, tendo aumentado 6,6% em 2019, também o ritmo mais baixo desde 2016.

Vários economistas e instituições (como a Comissão Europeia ou o FMI) têm referido que as ruturas nas cadeias do comércio mundial, designadamente a subida de barreiras por parte dos Estados Unidos, são um risco externo negativo relevante para uma pequena economia aberta e exportadora como Portugal.

Aparentemente, esse risco está a materializar-se de forma evidente nas vendas de mercadorias.

Apesar da travagem nas importações, a posição externa da economia portuguesa ficou muito mais frágil, com o défice comercial (saldo entre exportações e importações) a dilatar-se até aos 20,4 mil milhões de euros, naquele que é maior défice da economia dos últimos nove anos.

É preciso recuar até 2010, o ano que precedeu a bancarrota do País, para encontrar um défice anual mais desfavorável (21,4 mil milhões de euros).

Fonte: INE

Fonte: INE

Crise nas exportações para o quarto melhor cliente, o Reino Unido

O INE estuda ainda o impacto que o processo de saída do Reino Unido da UE (Brexit) teve no comércio português. É negativo, claro.

Segundo o instituto, “as exportações para o Reino Unido decresceram 0,6% em 2019 face a 2018, contrariando o crescimento de 3,6% registado no total das exportações portuguesas nesse ano”.

Os números de 2019 são graves na medida em que “o Reino Unido foi o 4º principal destino das exportações portuguesas”, ficando com 6,1% das vendas portuguesas totais de bens. Este peso era de 6,4% em 2018.

Como cliente das exportações lusas, o Reino Unido “é superado apenas por Espanha (24,9%), França (13%) e Alemanha (12%)”, refere o INE.

“Analisando as empresas que exportaram para o Reino Unido verifica-se que, comparando com o ano 2018, não houve uma significativa alteração do seu perfil exportador, em termos de concentração e grau de exposição. O número de empresas que declararam exportações para este país baixou ligeiramente (de 2 947 em 2018 para 2 848 em 2019) e apenas uma em cada cinco exportaram mais de 20% dos seus bens para este mercado.”

“Em 2019, cerca de dois terços das exportações para o Reino Unido concentravam-se em apenas seis grupos de produtos. Os veículos e outro material de transporte foram o principal grupo de produtos exportado”, representando 21,4% do total expedido para este país, seguindo-se “máquinas e aparelhos (17,5%)”, explica o INE.

(atualizado 13h30)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Lisboa-19/12/2019  - Conferencia de Antonio Mexia ,CEO da EDP. 
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Chinesa CTG vende 1,8% da EDP

(A-gosto.com/Global Imagens).

PSD indisponível para viabilizar alteração à lei para aeroporto do Montijo

O ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Novo Banco: Estado como acionista só dilui posição do Fundo de Resolução

Exportações travam até 3,6% e défice comercial dispara em 2019