Comércio internacional

Exportadores portugueses fogem do Reino Unido por causa do brexit

EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA
EPA/FACUNDO ARRIZABALAGA

O Reino Unido passou de 4º para 5º mercado de destino das vendas das empresas portuguesas. As exportações da metalurgia e de vestuário perdem terreno

Ainda não se conhecem em que termos é que o Reino Unido vai sair da União Europeia, mas as consequências do brexit já se fazem sentir. As exportações portuguesas para o mercado britânico caíram 12% em agosto, recuando para 240 milhões de euros, menos 33 milhões de euros que há um ano. Vestuário e metalurgia foram os setores mais afetados.

“Eu diria que estamos a perder 5% de quota ao ano, ou seja, qualquer coisa como 25 milhões de euros em cada ano. É muito, é [uma perda] enorme”, admite Paulo Vaz, lembrando que o Reino Unido caiu de terceiro para quarto destino das exportações têxteis nacionais. O diretor-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal admite que a tendência de quebra se manterá, sobretudo enquanto o clima de incerteza prosseguir, mas garante que este é um mercado a preservar. “Portugal tem uma ligação privilegiada com o Reino Unido, o importante é que não se percam os elos e os clientes. O país estará sempre entre os cinco maiores destinos das nossas exportações, o importante é que, perdendo quota, ao menos nos afirmemos com os produtos de maior valor acrescentado”.

No caso da metalurgia, a quebra do mercado britânico fez com que, pela primeira vez desde abril de 2017, o campeão das exportações ficasse em terreno negativo: as vendas ao exterior do Metal Portugal caíram 2% em agosto. O ano passado as vendas para Inglaterra ainda cresceram 4%, este ano estão a cair, desde janeiro, 4,4%. “É o quarto maior destino dos nossos produtos com 8,1% de quota, mas está, ainda, longe dos 15% da França, dos 16% da Alemanha ou dos 23,6% da Espanha”, refere Rafael Campos Pereira. A indefinição é a maior preocupação. “Só por si faz necessariamente abrandar os negócios”. Apesar de tudo, no acumulado dos oito meses, as exportações da fileira estão a crescer 16% e Rafael Campos Pereira espera fechar o ano com novo recorde histórico, próximo dos 19 mil milhões de euros.

No conjunto, as exportações nacionais abrandaram em agosto, com um aumento de apenas 2,6%, bem abaixo dos 13,8% de crescimento do mês anterior. A culpa foi da semana extra de paragem da Autoeuropa, em agosto, para adaptar a fábrica de Palmela às novas regras de emissões. Segundo os dados do INE, as exportações de automóveis e de outro material de transporte caíram, respetivamente, 17,1% e 42,6%. Já as importações aumentaram 8,6% e elevaram o défice da balança comercial para os 1709 milhões de euros, 351 milhões mais do que em igual período do ano passado.

Em termos de mercados, destaque para o crescimento de 53,8% das exportações para Itália, de 19% para os Estados Unidos e de 11,5% para França. Em sentido contrário, Alemanha, Brasil e Reino Unido que caíram, respetivamente, 12,2%, 44% e 12%. O mercado britânico era, em 2017, o quarto maior destino das exportações nacionais, com um peso de 6,6% no total das vendas ao exterior. Agora é o quinto, tendo sido ultrapassado pelos EUA. Mais importante, há uma redução do grau de exposição das empresas exportadoras ao mercado britânico: em 2017, o valor exportado pelas empresas que destinaram pelo menos metade das suas exportações para o Reino Unido caiu para 12,6% do total das vendas, quando no ano anterior era de 15,6% e em 2015 se situava nos 18,6%.

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