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Um só devedor deve 904 milhões ao Novo Banco

António Ramalho, CEO do Novo Banco. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa
António Ramalho, CEO do Novo Banco. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

Banco de Portugal divulgou reporte do Novo Banco.

O devedor que gerou mais perdas ao Novo Banco deve 904 milhões de euros em participações de capital, seguindo-se uma perda de 244 milhões de euros gerada por um grande devedor (quando há operações que excedem os 43,3 milhões de euros), de acordo com um reporte feito ao Banco de Portugal (BdP) pelo Novo Banco (NB) divulgado hoje pelo supervisor.

De acordo com o reporte, 31 devedores ainda tinham uma exposição ao Novo Banco em 2019, o que compara com 43 na exposição original. No final de dezembro de 2019, o Novo Banco tinha uma exposição de 3118 milhões de euros a grandes devedores, a que se adicionam 1036 milhões em imparidades e 2828 milhões em outras perdas, segundo o mesmo documento.

Do total de 3118 milhões de exposição a 31 de dezembro do ano passado, 1305 milhões dizem respeito a devedores de crédito e 1813 a participações em instrumentos de capital. O documento não identifica os devedores, embora o Governo já tenha enviado ao Parlamento os nomes dos visados, segundo avançou ontem o “Jornal Económico”.

A disponibilização do reporte hoje vem na sequência do cumprimento da lei 15/2019, que obriga à divulgação de informação agregada e anonimizada sobre as grandes posições financeiras do Novo Banco, “na sequência do pagamento efetuado pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco, no dia 6 de maio de 2020, ao abrigo e em cumprimento do disposto no Acordo de Capitalização Contingente, celebrado a 18 de outubro de 2017”, pode ler-se no comunicado do Banco de Portugal.

Um grande devedor do Novo Banco é considerado quando há operações que excedem os 43,3 milhões de euros, e pode incluir “diferentes devedores desde que incluídos no mesmo grupo”.
Na terça-feira de madrugada, o Ministério das Finanças disse, em comunicado, que o relatório de auditoria da Deloitte ao Novo Banco revela perdas líquidas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco (entre 04 de agosto de 2014, um dia após a resolução do BES, e 31 de dezembro de 2018) e “descreve um conjunto de insuficiências e deficiências graves” no BES, até 2014, na concessão de crédito e investimento em ativos financeiros e imobiliários.
Como as perdas associadas a instrumentos de capital não entram nas contas, de acordo com a norma contabilística IFRS 9, o Banco de Portugal solicitou ao Novo Banco os valores resultantes desses instrumentos, que ascendem a 947 milhões de euros em perdas, de acordo com o reporte.
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