Energia

Fábrica de pás eólicas Ria Blades muda de mãos já no início de 2020

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Depois do anúncio da compra da fábrica portuguesa de pás eólicas, em outubro, a Siemens Gamesa está agora focada em fechar negócio “antes de março”.

As negociações para comprar a fábrica de pás eólicas Ria Blades, da insolvente Senvion, “estão a decorrer conforme planeado e o negócio deverá ficar fechado já no início de 2020”, confirmou ao Dinheiro Vivo Pierre Bauer, chief financial officer para a área de eólicas offshore da gigante Siemens Gamesa Renewable Energy, fundada há três anos, quando a alemã Siemens decidiu “unir esforços” com a espanhola Gamesa.

Em Vagos, perto de Aveiro, a fábrica fundada em 2009, que já chegou a ter 1400 trabalhadores no ativo e a faturar 114,7 milhões de euros, com lucros de 11 milhões (em 2017), está hoje a laborar a meio gás, na sequência da insolvência da casa-mãe, a alemã Senvion. O Dinheiro Vivo sabe também que a unidade industrial portuguesa tem sido palco, nas últimas semanas, de várias visitas de “estrangeiros” e reuniões com responsáveis da Siemens Gamesa, com vista à conclusão da venda.

“Esperamos fechar a transação antes de março de 2020, dependendo da obtenção das necessárias aprovações regulatórias, além de outras condições para a conclusão do negócio”, sublinhou fonte oficial da Siemens Gamesa. Contactada, a direção da Ria Blades não quis pronunciar-se sobre o processo em curso.

“A fábrica de pás eólicas para torres onshore em Portugal é uma das empresas europeias mais competitivas da Europa. A unidade de Vagos vai ajudar a fortalecer a cadeia das indústrias de abastecimento da Siemens Gamesa e a reduzir a dependência dos fornecedores asiáticos, mitigando assim a volatilidade num contexto de incerteza provocado pelas guerras comerciais. Esta fábrica excecionalmente competitiva irá complementar a capacidade da Siemens Gamesa, já que tem das melhores estruturas operacionais, e vai ajudar a melhorar as vendas internacionais”, reforçou a mesma fonte.

Sobre a compra de outros ativos da Senvion, por um total de 200 milhões de euros, anunciada pela Siemens Gamesa em comunicado em outubro, fonte oficial da empresa disse apenas que “o nosso foco neste momento é completar esta transação e integrar com sucesso” a fábrica da Ria Blades.

Na Dinamarca, a bordo do navio Lango, para visitar a mais antiga central eólica offshore do país, a apenas meia dúzia de quilómetros do porto de Copenhaga, Pierre Bauer, CFO da Siemens Gamesa, revelou que a empresa “está atenta e disponível para comprar empresas especializadas, sendo o hidrogénio o próximo passo”.

No setor eólico, onde a Siemens Gamesa é líder de mercado, a pressão vem dos clientes e dos rivais, como a Vestas e a General Electric, que acabou de apresentar a maior turbina eólica do mundo, com 12 MW de capacidade, e planos de investimento a rondar os quatro milhões de euros.

A Siemens Gamesa não quis ficar para trás e no recente evento da WindEurope na capital dinamarquesa também anunciou a possibilidade de aumentar digitalmente a potência da sua turbina de 10 MW para 11 MW (com enormes pás eólicas de 94 metros de comprimento).

“Logo depois, a Vattenfall e a Siemens Gamesa já assinaram um acordo para o fornecimento de 140 turbinas eólicas de 11 MW para uma nova central offshore, num total de 1,4 GW. Quando entrar em produção dará energia para três milhões de casas na Holanda”, anunciou Bauer, acrescentando: “Já temos mais de mil unidades de 10 MW instaladas e mais mil prontas para instalação.”

Até 2025, explicou o CFO, as perspetivas de crescimento da energia eólica no norte da Europa são interessantes para a Siemens Gamesa, que está também a entrar nos EUA, em Taiwan (onde já assegurou mais de 3,5 GW e onde vai construir uma fábrica) e no Japão. Na China, uniram forças com um parceiro local, a Xangai Electric.

“Estamos comprometidos a investir onde faça sentido a nível estratégico e comercial. Não estamos preocupados em igualar a turbina de 12 MW da GE e ter a maior do mercado. Preferimos um desenvolvimento passo a passo. Somos líderes de mercado e queremos continuar a sê-lo.”

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