Hotelaria

Falência da Thomas Cook é “oportunidade para investidores hoteleiros”

Casa Cook Ibiza. Foto: Booking.com
Casa Cook Ibiza. Foto: Booking.com

Thomas Cook Resort não faliu mas os analistas esperam turbulência por causa da forte dependência da agência de viagens. Cushman vê oportunidade

A Thomas Cook é um dos maiores donos de hotéis do mundo e, a sua falência poderá trazer movimentações ao mercado de compra e venda de hotéis, antecipa Gonçalo Garcia, head of hospitality da Cushman & Wakefield.

“Vejo o tema da Thomas Cook como uma oportunidade. Os hoteleiros vão dizer ‘estou entalado, vou ficar com milhares de euros por receber’, mas a Thomas Cook é uma das maiores donas de hotéis do mundo. E o facto de ter falido não tem a ver com o turismo ter parado. O modelo está a mudar e são necessárias infraestruturas”, disse esta quarta-feira durante a apresentação do estudo ‘Hotel Investment in the Iberian Peninsula‘, uma iniciativa inédita realizada em parceria entre os polos da consultora em Portugal e em Espanha.

Muitas linhas se têm escrito sobre a falência do gigante britânico Thomas Cook, mas pouco se sabe ainda sobre o futuro das unidades hoteleiras espalhadas pelo mundo. É que além do negócio de operador turístico, e da companhia aérea, o grupo tinha também dezenas de hotéis que não faliram, mas têm a sua operação fortemente condicionada.

Os 200 hotéis da Thomas Cook

Apesar do nome, a Thomas Cook Hotels & Resorts é uma entidade separada, com sede na Alemanha, e que inclui oito subsidiárias. Contrariamente à empresa-mãe, esta não abriu falência a 23 de setembro. Em todo o caso, dois dias depois, iniciou procedimentos para um processo de recuperação de forma a “iniciar uma reorganização do negócio”.

É por isso que os hotéis da Thomas Cook ainda estão a funcionar – um deles abriu há menos de um mês. Ao todo, contam-se 200 hotéis, mais de 38 mil quartos de hotel espalhados por 47 destinos que se dividem por várias marcas: Casa Cook, Sentido, Sunprime, Cook’s Club, Aldiana, Sunwing, SunConnect e Smartline.

Apesar de se manterem em funcionamento, só são válidas as estadias reservadas de forma direta, uma vez que as férias marcadas através da agência Thomas Cook são agora consideradas nulas.

A maior parte destas empresas só está a aceitar reservas para um universo muito próximo. É o caso da marca Sentido, e da Aldiana que estão a aceitar reservas apenas até 31 de outubro.

Não é por acaso. “Todas estas subsidiárias são muito suscetíveis de vir a ter problemas no futuro”, disse Lance Ashworth da Serle Court, ao The Telegraph, que destaca a forte dependência que as unidades tinham das reservas da agência que reencaminhava turistas para estas unidades.

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