Falta de licenças para renováveis ameaça metas definidas por Bruxelas

Presidente da WindEurope critica a lentidão e complexidade do processo de licenciamento de novos parques ou de reparação dos existentes. A Europa está a perder terreno para os EUA e a China, garante Giles Dickson

A meta da descarbonização está traçada, mas pode estar em risco. O alerta é do presidente da WindEurope, a associação europeia da energia eólica, que considera que, para cumprir os objetivos de Bruxelas de ter 40% da energia produzida na UE até 2030 com origem renovável, seria preciso que a produção de renováveis estivesse a crescer ao dobro do ritmo atual.

A notícia é avançada pelo Jornal de Negócios, que cita Giles Dickson, para quem "o processo de licenciamento de novos parques, assim como de reparação dos parques existentes, é demasiado lento e complexo. As regras atuais estão desfasadas da realidade". O que faz com que a produção anual na Europa esteja a aumentar, em média, 15 gigawatts (GWh) por ano, o que "está longe de ser suficiente", diz, pois "deveríamos estar a construir 30 GWh por ano".

Em causa está a burocracia no licenciamento dos parques. "A UE determina que as decisões sobre o licenciamento de novos parques de renováveis devem ser tomadas no espaço de dois anos, ao passo que as licenças de reparação devem ser emitidas em 12 meses. Mas há poucos países a cumprir esses prazos", garante este responsável.

A pandemia veio complicar ainda mais a situação e a Europa está a ficar para trás, não apenas comparativamente aos Estados Unidos, "que até durante o mandato de Donald Trump avançou mais", garante o presidente da WindEurope, mas sobretudo face à China, que, só o ano passado, instalou 72 GWh de capacidade. "É na Europa que estão os grandes players e estamos a ficar para trás. Precisamos de um mercado doméstico forte", defende Giles Dickson.

Nem tudo são críticas, o presidente da WindEurope elogia Portugal, que considera ser "um dos líderes europeus" na substituição das centrais mais antigas por infraestruturas mais modernas e eficientes, o chamado repowering.

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