Recursos Humanos

Falta de trabalhadores qualificados pode ser “travão” à economia

Santa Maria da Feira, 26/06/2019 - Conferência 65 anos CCILA – “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: Estamos preparados?”, no Europarque.
Carlos Maia
(Tony Dias/Global Imagens)
Santa Maria da Feira, 26/06/2019 - Conferência 65 anos CCILA – “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: Estamos preparados?”, no Europarque. Carlos Maia (Tony Dias/Global Imagens)

Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã assinala 65 anos com debate sobre emprego, em Santa Maria da Feira.

Mais de metade das empresas (53%) sente falta de profissionais qualificados e 49% consideram que existe desadequação entre a oferta de profissionais e as vagas disponíveis. As conclusões são do estudo “Guia do Mercado Laboral 2019”, apresentado, esta quarta-feira, por Carlos Maia, da HAYS Portugal, durante a conferência “Empregos qualificados exigem qualificações adequadas: estamos preparados?”.

O evento, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCLIA), no âmbito da celebração dos seus 65 anos, decorre no Europarque, em Santa Maria da Feira. Miguel Leichsenring, o presidente da CCLIA, considerou mesmo, na abertura dos trabalhos, que a escassez de recursos humanos com qualificações adequadas às empresas pode ser um “travão ao crescimento económico”, daí a pertinência do debate.

No estudo da HAYS participaram cerca de 600 empregadores e 3000 profissionais. Os dados mostram que o ano passado foi positivo para as empresas. Apenas 13% ficaram abaixo das expectativas em termos de resultados e as restantes em linha (66%) ou até acima (21%) das expectativas.

As principais dificuldades de gestão de recursos humanos são a atração de talento (48%) e a sua retenção (45%). Os perfis mais difíceis de recrutar, mantendo a tendência dos últimos dois anos, são os perfis comerciais (37%, com maior impacto no sul do país), seguido das tecnologias da informação (27%, mas com mais relevância no norte) e dos quadros de engenharia (21%, mas com maior dificuldades na região centro).

Cerca de 82% das empresas pretendem reforçar os seus quadros e estruturas, valores similares ao ano passado. Para 2019, os perfis comerciais mais procurados são os comerciais (31%), tecnologias de informação (30%), engenheiros (26%), administrativos (16%) e marketing e comunicação (15%).

Segundo o estudo, 70% dos profissionais mostram disponibilidade para mudar de emprego. O principal fator apontado é o valor salarial (62%) e as perspetivas de progressão na carreira (58%).

Preparar talentos para as empresas

José Manuel Mendonça, presidente do INESC TEC e professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, desvendou, na palestra “Formação avançada em engenharia através de projetos de inovação e transferência de tecnologia nas empresas”, parte do segredo que faz daquele organismo, uma “incubadora de talento e de carreiras de sucesso”. Passa por juntar, ao corpo docente, investigadores, bolseiros e manter uma boa relação com as empresas, lançando depois, para as empresas e sociedade, conhecimento, tecnologia e profissionais qualificados. Tudo isso com “impacto económico e social”, diz.

Silke Griemert, da Universidade de Koblenz, na Alemanha, frisou, no debate que se gerou em seguida, a premência de se fazer o “encontro” entre as necessidades das empresas e as competências e conhecimento das universidades. No ensino dual naquele país, explicou depois Reiner Valier, representante do Ministério Federal da Educação e Investigação na Alemanha, “são as empresas que enviam os funcionários para formação”, sendo que 70% do ensino é dentro das companhias e 30% nas escolas.

Em todo o mundo, as universidades enfrentam desafios. São desafios que passam, primeiro, por “uma ligação maior à tecnologia” e, numa segunda fase, por “ensinar outras competências mais humanas”, quando o tal saber tecnológico se tornar uma coisa “normal”, desvendou Daniel Traça, diretor em Portugal da Nova School of Business and Economics. O desafio é para todas a áreas, desde advogados a gestores, que vão ter de trazer a tecnologia para o cerne da sua formação. Esta mudança, salientou, ainda, está a acontecer a uma grande velocidade.

Em Portugal, os politécnicos, avançou o vice-presidente do Instituto Politécnico do Porto, Rui Ferreira, têm feito um caminho no reforço da qualidade e de aproximação às empresas. “A ligação ao tecido empresarial é feita desde muito cedo e há uma forte componente em contexto de trabalho”, garante.

Mas ainda há caminho a fazer entre a ligação dos centros de saber e as empresas. Diogo Pimenta, ex-presidente da Associação de Estudantes da FEUP, contou ter relatos de colegas que revelam alguma “desadequação” entre o que aprendem nas academias e o que é solicitado pelas empresas, quando chegam ao mercado de trabalho. E sublinhou como os salários no estrangeiro podem ser bem mais “aliciantes” do que em Portugal.

A capacidade de “reter” o talento que se forma, explicou em seguida Daniel Traça, prende-se em boa parte com a “competitividade da economia portuguesa”, o que inclui o “pagar salários” também competitivos. Mas as experiências no estrangeiro são boas, assegurou. “Quem não sair vai pagar um custo que tem a ver com as competências que não adquire porque não tem a internacionalização, que é tão importante como a tecnologia”, disse Daniel Traça.

Na tarefa de adequar os recursos às necessidades do mercado, ninguém deve ficar de fora, lembra Paulo Feliciano, vice presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional. O responsável refere que, nesse sentido, estão em curso vários programas que visam dar competências digitais e pessoas com baixa escolaridade e outros para requalificar pessoas com ensino superior que não encontraram lugar no mercado atual.

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