Famílias já pouparam 460 milhões de euros com a queda da Euribor

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A queda das taxas Euribor teve um efeito positivo para o orçamento de muitos portugueses. Nos últimos sete anos permitiu às famílias pouparem cerca de 460 milhões de euros no crédito à habitação, segundo os cálculos do Dinheiro Vivo.

O pico mais elevado da taxa que serve de referência no crédito à habitação atingiu-se em outubro de 2008, no pós falência do banco norte-americano Lehman Brothers. Nessa altura, a Euribor a seis meses – a mais utilizada no cálculo da prestação da casa em Portugal – chegou aos 5,448%; na última sexta-feira, esta mesma taxa fixou-se em 0,042%. E o indexante a três meses está negativo: -0,031%.

O Dinheiro Vivo fez os cálculos para um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos e com um 1% de spread (taxa que acresce à Euribor e, no fundo, é a margem de lucro dos bancos). Uma família com um crédito à habitação com estas condições pagava, em outubro de 2008, uma prestação de 611 euros; essa mesma família hoje paga pelo empréstimo 324 euros. Contas feitas, e significa que a prestação deste crédito caiu 287 euros (ou seja, -47%).

Segundo o relatório de acompanhamento dos mercados bancários do retalho, elaborado pelo Banco de Portugal, existem cerca de 1,6 milhões de contratos de crédito à habitação. Tendo em consideração que a descida foi refletida em todos os contratos, estaremos a falar de uma poupança total para as famílias que ascende a 460 milhões de euros.

E tudo aponta para que esta tendência de taxas de juro baixas se mantenham, embora alguns economistas não acreditem que a Euribor a seis meses possa chegar a valores negativos. “O nosso cenário central é, neste momento, que a Euribor a 6 meses se mantenha marginalmente acima de zero”, explicou Filipe Garcia, economista da consultora Informação de Mercados Financeiros (IMF), em declarações ao Dinheiro Vivo.

Questionado sobre se, depois de um longo período de quedas, as famílias estarão preparadas para uma subida dos juros e, consequentemente, um aumento da prestação do crédito à habitação, Filipe Garcia responde que os portugueses não parecem estar preocupados. Mas, para já, também tudo aponta para que os juros permaneçam baixos por algum tempo. “Ao nível das famílias não sinto preocupação,nem preparação. Há alguns casos em que se preferiu taxas fixas a variáveis em créditos novos, mas não são a maioria. Em todo o caso, não me parece que seja algo com o qual as famílias se devam preocupar nos próximos tempos”, adiantou o economista da consultora IMF.

Subida só no final de 2016?

Pelo terceiro mês consecutivo, a média mensal da Euribor a três meses – o segundo indexante utilizados no cálculo da prestação da casa e também do crédito às empresas – ficou negativa. E as perspetivas são para que, em agosto, a média também seja negativa. Ou seja, a prestação irá baixar, uma vez que a taxa abate ao spread cobrado pelos bancos (ver caixa). E não deverá ficar por aqui, já que o mercado está a antecipar que as taxas interbancárias se mantenham em terreno negativo até, pelo menos, ao final do próximo ano. A inversão só deverá acontecer em dezembro de 2016, início de 2017

Os futuros da Euribor a três meses apontam para que esta se situe, em dezembro de 2015, nos -0,1%. Isto quando a média mensal desta taxa a três meses se fixou, em julho, nos -0,019%. Sendo esta a média utilizada para os contratos revistos durante este mês de agosto. De acordo com os cálculos do Dinheiro Vivo, uma família com um empréstimo de 100 mil euros a 30 anos, com um spread de 1%, indexado à Euribor a três meses tem, atualmente, uma prestação mensal de 321 euros. Com a Euribor a -0,1%, a prestação sobe para 326 euros. Ou seja, um aumento de 4 euros que apenas se antecipa que aconteça em dezembro de 2016.

“Não há indícios de inversão de tendência dos juros. A inflação continua baixa, as ameaças de desaceleração económica na China e a queda no petróleo levam a crer que inflação permanecerá muito baixa. Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) vai implementando a sua compra de ativos e não dá sinais de alteração da política monetária”, concluiu o economista Filipe Garcia.

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