Fato inteligente protege profissionais da energia e das telecomunicações

Com alertas de perigo em tempo real, o IP Vest protege de produtos químicos, riscos elétricos, caso de cargas eletroestáticas, e monitoriza, dados como a humidade e temperatura ambiente, bem como a temperatura corporal do trabalhador ou a sua taxa de esforço cardiorrespiratória

Resultado de um projeto de investigação distinto mas igualmente inovador e está em fase de prototipagem um fato inteligente que alerta e protege os trabalhadores dos setores da energia e das telecomunicações no contacto com riscos elétricos, produtos químicos ou intempéries.

Desenvolvido em parceria pelo CeNTI, Citeve, Scorecode Têxteis e Viatel, o IP Vest é um equipamento de proteção individual (EPI) que tem incorporados vários sensores que permitem monitorizar o bem-estar do trabalhador e emitir alertas em tempo real. Este é um artigo que deverá chegar ao mercado em 2022.

O projeto, que arrancou em junho de 2018 e termina em novembro do próximo ano - foi prolongado em seis meses por via dos atrasos causados pela pandemia -, partiu da necessidade da Viatel de "transmitir segurança aos seus trabalhadores, designadamente monitorizando os seus parâmetros biométricos sempre que sobem às torres de telecomunicações", equipamentos com 30 metros de altura.

Ao CeNTI coube "reunir os parceiros certos", explica Juliana Soares, gestora do projeto por parte do Centro de Nanotecnologias e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes, bem como desenvolver "toda a parte de sensorização do fato e comunicação dos dados para a plataforma da Viatel". A ideia é que o IP Vest possa vir a ser usado por profissionais de outras áreas ou até no desporto, podendo ser criada uma app para receber os dados. O Centro Tecnológico do Têxtil e do Vestuário desenvolveu os substratos têxteis, com capacidade de proteção contra calor e chama, riscos elétricos, designadamente cargas eletrostáticas e arco elétrico, e de contacto com produtos químicos.

Já a CEO da Scorecode Têxteis, o promotor líder, explica que "o fato foi desenvolvido para o desempenho de funções em condições climáticas muito agressivas", pelo que admite que possa vir a ser direcionado para o segmento das eólicas, mas também de tudo o que é atividade offshore. Os cinco protótipos produzidos vão ser entregues, em janeiro, para a fase de testes, sendo que a empresa gostaria que, a partir de junho do próximo ano, o IP Vest "estivesse já a ser utilizado em força no mercado". Serão sempre peças a produzir em função das encomendas que vierem a surgir.

Quanto ao preço, Mafalda Mota Pinto admite que será um equipamento caro, mas que se pretende que seja modular, ou seja, cada empresa poderá incorporar na base têxtil a estrutura de eletrónica e sensorização à medida das suas necessidades próprias. "Ainda temos um longo caminho a fazer em Portugal ao nível da segurança. A realidade mostra-nos que, quando se trata de EPI, as empresas fazem de tudo para poderem não gastar muito", diz a empresária, lembrando que esta é uma peça que procura "salvaguardar a vida humana", permitindo, em simultâneo, que os colaboradores desempenhem as suas funções "de forma mais produtiva".

Com 100 trabalhadores e um volume de negócios da ordem dos 11 milhões, a Scorecode Têxteis, mais conhecida pela sua marca própria, a Scoop, tem uma longa experiência no desenvolvimento de equipamentos de proteção individual, fornecendo áreas tão exigentes como os bombeiros da Malásia, o exército francês e os bombeiros e polícias espanhóis. E não só. Desenvolveu, por exemplo, em parceria com a Universidade do Minho, uma estrutura têxtil que bloqueia uma motosserra, salvaguardando os acidentes de trabalho de lenhadores, guardas florestais ou silvicultores. Mas Mafalda Mota Pinto não tem dúvidas que "ainda temos um longo caminho a percorrer em Portugal na área da segurança", porque a questão do preço se sobrepõe sempre às funcionalidades do produto.

O desporto é outra das áreas de grande aposta da empresa de Vila Nova de Famalicão, em especial os desportos de inverno. Uma das muitas inovação que tem nesta área foi um blusão de equitação, desenvolvido em parceria com o Comité Olímpico Francês, com airbag incorporado e ligado à sela do cavalo de modo a ser ativado em caso de queda, salvando a vida do cavaleiro.

Além do IP VEST, os promotores deste projeto integram também o consórcio europeu do HARPSENS (Head Mounted AR Platform with Plug & Play Sensor Functionality), projeto da área dos têxteis avançados, que está a ser desenvolvido no âmbito do programa EUREKA - EURIPIDES2 em parceria com duas empresas turcas: a Augmency e a Arçelik. Focado na Indústria 4.0, visa desenvolver um capacete inteligente com realidade aumentada, o Cyclops, e um colete inteligente, o Smart Vest, com sensorização integrada na estrutura têxtil. Inovações que deverão chegar ao mercado só em 2022.

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