Turismo

Férias da Páscoa: Procura em alta e gastos dos turistas em crescimento

Gestor de 204 propriedades em Lisboa faturou 2,3 milhões de euros no Airbnb em 2016.
Gestor de 204 propriedades em Lisboa faturou 2,3 milhões de euros no Airbnb em 2016. Alojamento Local, turismo, Lisboa Fotografia: Ana Margarida Pinheiro

Associação de Turismo de Lisboa prevê que a rentabilidade do setor aumente até 10% na época da Páscoa. Algarve continua a ser a região mais procurada, com um aumento de 4% a 5%. Brexit volta a afastar ingleses

A Páscoa está à porta e traz boas notícias para o turismo português. Operadores turísticos, associações do setor e empresas hoteleiras estão com as expectativas em alta. A procura está a crescer no país e há mais portugueses a viajar para o exterior. Não há campanhas promocionais e prevê-se um crescimento dos gastos médios. A crise foi atirada para trás das costas. “O poder de compra aumentou e há uma maior apetência para o consumo”, os portugueses estão “a recuperar do jejum dos muitos anos de crise”, sublinha Luís Veiga, presidente do grupo IMB Hotels. Os turistas estrangeiros também aumentam.

O Algarve continua a ser o destino por excelência nesta altura do ano: atrai portugueses e estrangeiros e prevê-se um crescimento entre 4% a 5% na procura da região face ao mesmo período do ano passado”, diz Elidérico Viegas, presidente da AHETA (Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve). “O Algarve é o destino preferido dos portugueses, designadamente na Páscoa, e este ano não vai ser exceção”, frisou. Desde 2017 que “se regista uma subida na procura por parte dos nacionais”, adianta. Elidérico Viegas estima uma taxa de ocupação próxima dos 70% em abril, altura em que arranca a época turística.

Na semana da Páscoa, as praias algarvias esperam mais de um milhão de pessoas, entre portugueses e estrangeiros. Os britânicos, que tradicionalmente procuram o Algarve para férias, estarão em menor número: o brexit levou a uma quebra de 10% no incoming desse destino, mas Elidérico Viegas lembra que mercados como a Alemanha, Holanda, França, Bélgica, Luxemburgo, Itália e outros têm compensado esta quebra. “Estes mercados, embora pequenos, têm chegado para esbater a descida da procura por parte dos ingleses” e assegura que o Algarve está mesmo a registar “um grande aumento da procura internacional”. Já os vizinhos espanhóis continuam a não se entender com o sistema de pagamento da Via do Infante. Marcam presença na região, mas em número diminuto, sublinha.

O grupo hoteleiro Vila Galé, que detém nove hotéis no Algarve, regista já 80% de taxa de ocupação, a uma semana do início das férias da Páscoa. “Já estamos muito próximos dos níveis de ocupação que registámos no período da Páscoa de 2017”, revela fonte oficial do grupo português. Estes números devem ainda crescer, até porque cada vez mais os portugueses fazem reservas à última hora. Os destinos mais procurados são a costa de Lisboa e o Algarve, sobretudo Vilamoura e Albufeira. Portugueses, britânicos, espanhóis e alemães são os principais clientes deste grupo hoteleiro.

Vítor Costa, diretor-geral da Associação de Turismo de Lisboa, releva que a tendência destes dois últimos meses do ano é de “subida da ocupação entre 2% e 3%” e, mais importante, “da rentabilidade do setor em mais de 10%”.

Sem dados precisos sobre as férias de Páscoa em Lisboa, Vítor Costa adianta que “é um período de grande ocupação” e “já se começam a notar, por exemplo, muito espanhóis” na cidade, prevendo que a tendência que se verifica se prolongue no resto do ano. Na opinião do responsável, 2018 “vai ser novamente um bom ano turístico”.

Norte em força

Os destinos de férias estão ainda assim mais descentralizados. “Em Portugal, cada vez têm mais relevância as ilhas, o Norte e o Centro do país”, frisa Nuno Mateus, vice-presidente da APAVT (Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo). A Agência Abreu, a mais antiga agência turística do mundo, confirma que os pedidos de reserva estão centrados no Algarve (o destino mais procurado), Açores, Alentejo, Centro e Douro.

A Agência Abreu nota ainda que há “um crescimento relevante da procura”. Opinião partilhada por Nuno Mateus, que afirma não ter dúvidas de que há um aumento nas vendas do setor face ao mesmo período de 2017 e que “os portugueses estão a gastar mais dinheiro”. Nuno Mateus sublinhou ainda que “o mercado está a reagir muito bem e, neste momento, não há campanhas promocionais”.

A região norte capta novamente mais turistas nacionais e internacionais. Segundo dados da Associação de Turismo do Porto e Norte, “as taxas de ocupação rondam os 80%” e, “considerando que este tipo de visitante não reserva com muita antecedência o seu alojamento, podemos pensar que a ocupação poderá ultrapassar os 90%”. De acordo com a mesma fonte, os destinos mais procurados a norte são o Porto e cidades ligadas ao turismo religioso como Braga, Guimarães e Lamego. Os portugueses, mas também os espanhóis, franceses, alemães e britânicos, são os que mais visitam a região, para uma estada média de 2,5 dias.

A região da serra da Estrela não foge à regra. A neve não tem parado de cair nos últimos dias e os hotéis preparam-se para a Páscoa Branca. Como recorda Luís Veiga, “quando o inverno se prolonga e a Páscoa é mais cedo”, a região fica a ganhar. O grupo IMB Hotels, cuja atividade está centrada na região da serra da Estrela, prevê um aumento da receita entre 5% e 10% e uma taxa de ocupação de 70%. “Tudo indica que vai ser uma boa Páscoa”, diz.

Destinos exóticos

Fora de portas, os portugueses manifestam claro gosto por destinos exóticos e de praia. A Go4Travel, o maior grupo português de agências, realça os destinos de “longas distâncias, essencialmente tropicais e exóticos, tais como Brasil, Tailândia e Maurícias”, com as reservas a crescerem “10% em relação ao ano anterior”.

Já a Agência Abreu salienta que países como Espanha, Marrocos, Cabo Verde e cidades europeias “estão no topo da procura” e afirma que “o crescimento da procura global está nos dois dígitos”. A APAVT também sinaliza destinos como Cabo Verde, Caraíbas, São Tomé, Brasil e Euro Disney (Paris).

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