Coronavírus

Fileira da madeira pede flexibilização das regras do Portugal 2020

Líder da AIMMP, Vítor Poças.
Líder da AIMMP, Vítor Poças.

Empresas estão com dificuldades em executar os projetos comunitários dentro dos prazos estipulados

A Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP) saúda a inclusão da fileira nas medidas específicas de apoios às empresas anunciadas esta quarta-feira, pelos ministros das Finanças e da Economia, para minimizar os efeitos da crise da pandemia do novo coronavírus, mas teme que o processo da sua implementação “seja muito burocratizado” e sujeito ao crivo “muito apertado” da banca. Pede, por isso, ao Governo que crie “mecanismos muito rápidos” de acesso, bem como a flexibilização das regras do Portugal 2020.

“A situação é caótica, ou vai sê-lo dentro de pouco tempo. Temo pelo encerramento de muitas empresas e pelos seus postos de trabalho”, admite o presidente da AIMMP. Para Vítor Poças a intenção do Governo “pode ser boa”, mas fica “muito aquém” do que outros países têm feito, e dá como exemplo o governo espanhol, que anunciou um pacote de medidas inédito, no valor de 200 mil milhões de euros, correspondente a 20% do produto interno bruto (PIB) espanhol. Em Portugal, as medidas já anunciadas equivalem a cerca de 5% do PIB.

Com cerca de seis mil empresas e 55 mil trabalhadores, a fileira da madeira e do mobiliário é responsável por mais de 2,6 mil milhões de euros em exportações. “O final de 2019 e o início de 2020 estava muito bem, do ponto de vista das exportações, mas, com a situação da Covid-19, há muitas encomendas que estão a ser canceladas, quer por empresas espanholas quer portuguesas, e há uma redução brutal das vendas”, garante Vítor Poças. Com base numa breve auscultação a alguns dos seus associados, o presidente da AIMMP estima que cerca de 30% das encomendas possam ter sido canceladas. Embora haja, também, subsectores com um acréscimo de procura, caso dos fabricantes de urnas.

As dificuldades de entregas de mercadorias numa Europa fechada é outra das preocupações das empresas de madeiras e mobiliário, a par da execução dos projetos comunitários. “Precisamos que haja uma prorrogação dos prazos de execução dos projetos para que as empresas não sejam penalizadas”, sublinha.

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