Energia

Fim antecipado do carvão em Portugal pode fazer subir preços da luz

LUZ

Com a decisão de antecipar quase uma década o encerramento das centrais portuguesas a carvão, o impacto poderá chegar mais cedo às contas da luz.

O fecho das centrais do Pego e de Sines, em 2030, poderia levar a aumento de 7,2% nos preços da eletricidade. Agora, com a decisão do Governo de antecipar quase uma década o encerramento das centrais portuguesas a carvão, o impacto poderá chegar mais cedo às contas da luz.

Na Europa, os preços da energia deverão aumentar 15% entre 2020 e 2025. A culpa é do fim das centrais a carvão, refere uma análise da consultora internacional S&P Global Platts Analytics. Em Portugal, por seu lado, os custos finais da eletricidade irão subir 7,2% entre 2030 e 2040, já na era pós carvão, de acordo com um outro estudo elaborado pelos académicos Alfredo Marvão Pereira e Rui Manuel Pereira, do Department of Economics, no norte-americano College of William and Mary. Mas as famílias, graças à forte aposta nas renováveis, sentirão um agravamento de apenas 0,3% na conta da luz, tendo como cenário o anúncio, feito no final de 2017, de que até 2030 todas as centrais a carvão teriam de ser encerradas no país.

Este impacto nas tarifas da eletricidade calculado pelos dois académicos portugueses poderá, todavia, chegar mais cedo do que o previsto. É que na semana passada, na tomada de posse do novo governo, o primeiro-ministro António Costa revelou que decidiu antecipar a meta para o encerramento das centrais em quase uma década: ou seja, fechar já em 2021 a central do Pego (da TejoEnergia, detida pela Endesa) e dois anos depois a de Sines (da EDP).

“Em geral, o encerramento resultará num aumento dos preços da eletricidade. O sistema elétrico vai ajustar-se ao fim destas centrais substituindo parcialmente a geração de eletricidade com origem no carvão por gás natural. Sempre que possível, a expansão do investimento em energias renováveis (hídrica, eólica e solar) irá contribuir para gerar eletricidade com uma melhor relação custo/eficácia e compensar o fim do carvão”, refere o estudo de Alfredo Marvão Pereira e Rui Manuel Pereira.

De acordo com a S&P Global Platts, até 2025, países como França, Reino Unido, Espanha e Itália já estarão livres de carvão. Já a Alemanha diz que não planeia começar a fechar centrais a carvão antes de 2038, algo que é “incompatível com os Acordos de Paris. No geral, a Europa Ocidental verá a sua produção de energia a partir do carvão cair 68% entre 2020 e 2025”.

Com as centrais de produção de eletricidade a carvão a fechar em toda a Europa, o gás natural será cada vez mais usado para gerar energia elétrica e compensar a intermitência das renováveis, explica a S&P Global Platts Analytics. Por outro lado, as emissões de carbono passarão também a ser taxadas com mão mais pesada. E tudo isto será refletido nas faturas pagas pelos consumidores, alerta.

A meio da próxima década, os alemães pagarão a eletricidade mais cara da Europa (de 42 euros por MWh em 2020 para mais de 56 euros por Mwh em 2025), à medida que o encerramento das centrais a carvão obrigar o país a importar cada vez mais energia. Os preços do gás vão subir e as margens das centrais de ciclo combinado vão descer em todos os mercados europeus, exceto na Alemanha.

Em Portugal e Espanha, no entanto, o cenário é diferente. “O crescimento forte das renováveis na Península Ibérica significa que estes dois países se tornarão nos mercados com maiores descontos nas tarifas a partir de 2023 e são os únicos que registarão mesmo uma quebra real nos preços nos próximos cinco anos”, refere a análise da S&P Global Platts Analytics, que antevê os preços no mercado ibérico a rondar os 41 euros por MWh em 2020, subindo depois para 50 euros/MWh em 2023, antes de cair de novo para 46 euros/MWh em 2025. Ou seja, quase 10 euros abaixo da Alemanha.

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