FIRMA: "Beja é uma proposta que pensa o país como um todo"

Bernardo Theotónio-Pereira explica as vantagens de aproveitar Beja para complementar o aeroporto de Lisboa, que não se esgotam na infraestrutura mas antes representam potencial de atrair pessoas e talento à região e ligar o Alentejo à Europa.

No momento crucial que Portugal atravessa e "pela expectativa de injeção de fundos estruturais estratégicos para o futuro de Portugal", a FIRMA criou uma equipa de trabalho, liderada por Pedro Spohr (engenheiro e board member FIRMA) e que conta com o engenheiro Nuno Lopes (strategic adviser FIRMA) e Pedro Leitão (diretor FIRMA), para a apresentação de uma "proposta concreta e viável" para o novo aeroporto, focada no combate à desertificação do território nacional e na eficiente utilização dos recursos existentes. "Este desafio gerou a apresentação da proposta para a criação do Aeroporto Portugal Sul e a criação da ligação ferroviária de alta velocidade nacional", explica Bernardo Theotónio-Pereira, managing partner da FIRMA, ao Dinheiro Vivo.

Os planos para novo aeroporto no Montijo foram chumbados. Porque é que é uma boa oportunidade para voltar a pôr Beja em cima da mesa?
Não se trata de voltar a pôr Beja em cima da mesa, por si só. Não podemos pensar sempre micro, precisamos de estratégia, de uma estratégia nacional, de pensar de forma estruturada para potenciarmos o país que somos e queremos ser. Por isso é o timing certo para a FIRMA apresentar esta proposta liderada por Pedro Spohr, que comunga da visão do Prof. António Costa e Silva e permite potenciar uma infraestrutura existente, reocupar o território, garantir a coesão territorial necessária e aproximar Portugal das regiões próximas da Estremadura e Andaluzia (mercados que representam cerca de 80% do PIB nacional) e do mercado europeu, através da criação de uma linha ferroviária de alta velocidade que, por sua vez, permitirá atrair indústrias nacionais e internacionais e a utilização eficiente dos recursos existentes e a receber (os fundos estruturais). Portugal é bem mais do que o Litoral e Lisboa. Se tivermos uma visão ampla, global e ambiciosa, e por isso também mais europeia e atlântica, deparamo-nos com a centralidade e enorme potencial, que há anos tem sido incompreensivelmente desprezada, da atual localização do Aeroporto de Beja (que seria o Aeroporto Portugal Sul).

A proximidade da Embraer e da OGMA também ajudaria?
A proposta e solução que a FIRMA preconiza assenta na criação de um binómio aeroportuário conectável por linha ferroviária de alta velocidade que permitirá maximizar o posicionamento geográfico estratégico de Portugal enquanto "Porta Atlântica" potenciando, via Porto Sines e o futuro "Aeroporto Portugal Sul" que propomos, a plataforma europeia ideal para poder servir não só os mercados europeus e asiáticos mas também os mercados do atlântico norte e sul. Prevemos a atração de investimento estrangeiro, em especial, de indústria de valor acrescentado, como a Embraer e a OGMA já são exemplos. E não temos dúvidas que verão nesta proposta muito valor para as respetivas atividades.

E podia essa solução ajudar a captar pessoas e talento especializado para uma região desertificada?
Esse é um dos principais motores que a proposta da FIRMA foca. Acreditamos que com a criação deste binómio aeroportuário conectável por linha ferroviária de alta velocidade e portuária, replicando o princípio dos "vasos comunicantes", contribuirá para o necessário equilíbrio demográfico, uma melhor distribuição da riqueza gerada mas, também, para o melhor aproveitamento do território, potenciando um País mais coeso, equilibrado e justo. E por isso, sendo um fator chave para a atração de pessoas e talento para a região.

Seria também uma forma de capacitar a região e o país de outras infraestruturas fundamentais, como o comboio a Alta Velocidade?
A nossa proposta refere exatamente isso. Só faz sentido se, para além da utilização da infraestrutura aeroportuária existente (o Aeroporto de Beja), criarmos uma linha ferroviária de alta velocidade com hub em Beja e com ligação direta às principais regiões e urbes nacionais e regionais, como por exemplo: Lisboa (40 minutos), Porto (80 minutos), Faro (20 minutos), Badajoz (20 minutos) e Madrid (125 minutos). Mas mais, consideramos também crucial e parte integrante da nossa proposta, a conclusão da A26 Sines (ligação rodoviária entre o Porto de Sines e Beja/Aeroporto) para a ligação direta do Porto de Sines ao futuro Aeroporto "Portugal Sul", à ferrovia Nacional, Espanhola e Europeia. Finalmente, a proposta que preconizamos é viável e sustentável em termos energéticos (assente em energia renovável, em especial solar fotovoltaico) ambientais e económico-financeiros (pela força do movimento de passageiros gerado).

Teria também efeitos no turismo e no desenvolvimento da economia local?
Não temos dúvidas. Trata-se de uma proposta que pensa o país como um todo. Que assenta nos pilares de uma Estratégia Nacional que devíamos ter e na qual a reocupação e coesão territorial serão sempre cruciais, especialmente na zona Sul de Portugal. Não podemos continuar a "empurrar com a barriga" nem a "não querer ver" a desertificação atual existente. Mas que também assenta na utilização dos recursos existentes. Quer em termos de recursos infraestruturais (como o atual Aeroporto de Beja - o futuro Aeroporto "Portugal Sul - e o Porto de Sines) mas também de potenciar os recursos imateriais que temos. A beleza e a oferta única do Alentejo, da Costa Alentejana e do Algarve. Precisamos de pensar Portugal num todo sem interesses, sem politiquices, sem favores. Precisamos de aproveitar os fundos estruturais para potenciar o futuro de Portugal e dos Portugueses de uma forma eficiente e responsável.

Porque é que a FIRMA decidiu apresentar este projeto?
A FIRMA, além de ser uma empresa privada que visa o lucro e representa e apoia clientes com soluções de funding, estratégia e vetting, pretende também contribuir para o futuro do país, quer através da FIRMA CAUSAS quer com a apresentação sistemática de ideias e soluções para Portugal. Por isso, neste momento crucial para o futuro do país, quisemos propor o que consideramos relevante, tal como outrora já fizemos quer com a aproximação ao mercado Indiano, quer com a apresentação da estratégia nacional para a mineração. Não há tempo a perder e acredito, genuinamente, que a sociedade civil e empresarial nacional, tem de contribuir para apoiar a classe política e os governantes na construção de um Portugal melhor, mais competitivo, produtivo, eficiente e vanguardista.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de