Investimento

Firma na rota do mining. Lítio pode dar 5 mil milhões à economia 

Bernardo Theotónio Pereira e Bernardo Pires de Lima, sócios da FIRMA.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
Bernardo Theotónio Pereira e Bernardo Pires de Lima, sócios da FIRMA. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Há cada vez mais players internacionais com interesse em investir num negócio com potencial para criar 2500 empregos.

Smartphones e carros elétricos. Andam na boca de toda a gente, mas trazemo-los aqui porque as baterias que os movem têm o lítio como ingrediente essencial. E Portugal é uma potência do metal a que, pelas suas capacidades energéticas, já há quem chame petróleo branco. Com um primeiro estudo a antecipar 12 locais de elevado potencial de lítio no país – três dos quais descartados por se encontrarem em áreas ambientalmente sensíveis -, o interesse dos investidores tem-se multiplicado. Como atesta a Firma de Bernardo Pires de Lima e Bernardo Theotónio-Pereira que, motivada por abordagens recentes de investidores estrangeiros, decidiu incluir o mining (ouro, cobre, carbonato de lítio, tungsténio e estanho) no seu plano estratégico, ao lado de setores em que desde 2016 assenta a sua atuação, incluindo energia, infraestruturas e setor financeiro.

“Estamos atentos aos sinais do mercado para antecipar grandes tendências da economia e temos sido contactados por investidores e players internacionais interessados no mining”, confirma Theotónio-Pereira. O managing-partner da Firma justifica assim a importância de conhecer o setor de forma integrada, apontando um potencial de investimento em Portugal superior a 600 milhões a cinco anos, entre prospeção e exploração. “Isto representa um retorno de 5 mil milhões para a economia e a criação de mais de 2500 postos de trabalho em distritos como Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Guarda e Viseu.”

Para mapear o potencial estratégico do nosso setor mineiro, integrando-o num plano global de infraestrutura, preservação da natureza, criação de empregos sustentáveis, coesão territorial e defesa dos interesses das populações, a Firma encomendou a Mário Guedes (engenheiro de minas, antigo diretor-geral de energia e geologia e membro do Firma Foresight Board) um estudo detalhado e integrado, cujas conclusões serão conhecidas em outubro, num evento público com representantes do setor. Para Mário Guedes, apostar nas minas pode “reposicionar o país como maior produtor de tungsténio e lítio da Europa, segundo em ouro e estanho, numa lógica de desenvolvimento industrial com enorme valor acrescentado em novos setores”.

Com a transformação que está a acontecer na indústria automóvel – do motor de combustão ao elétrico – e a maior necessidade de materiais como cobre e carbonato de lítio, Portugal surge assim como polo de investimento e de desenvolvimento industrial. “Precisamos de apostar nos nossos recursos, no valor que temos – um estudo de 2010 do Laboratório Nacional de Energia e Geologia aponta um potencial superior a 130 mil milhões”, diz Theotónio-Pereira. “A oportunidade é clara. Temos de apostar em captar investimento direto estrangeiro de qualidade e envolver os principais players mundiais do setor automóvel na criação de unidades de fabrico de baterias em Portugal. E a Firma está focada em apoiar a mudança.”

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