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Fitch deve manter ‘rating’ de Portugal tendo em conta perspetiva estável

Fotografia: REUTERS/Reinhard Krause
Fotografia: REUTERS/Reinhard Krause

A Fitch deverá manter o ‘rating’ de Portugal, face à perspetiva estável, segundo Douglas Winslow, diretor de ‘ratings’ soberanos da agência.

No final de novembro, a agência manteve a nota ‘BBB’ para a dívida pública portuguesa, o que a mantém na categoria de investimento, assim como preservou a perspetiva estável.

“A perspetiva (‘outlook) estável indica que não há uma possibilidade elevada de alteração de ‘rating’ sem que aconteça algo inesperado”, afirmou o responsável à agência Lusa, à margem de uma conferência da Fitch, que decorreu em Lisboa.

Winslow recordou que no final de novembro já tinham sido identificados os riscos relacionados com a saída do Reino Unido da União Europeia (‘Brexit’) e a maior instabilidade política. Já “tínhamos antecipado um abrandamento na economia da zona euro e na economia portuguesa”, acrescentou.

Em novembro, a Fitch referia que a nota estava a refletir a melhoria dos indicadores macroeconómicos e orçamentais, mas também os elevados níveis de dívida pública e dívida externa.

A agência considerou que a dívida pública vai continuar a sua trajetória descendente no médio prazo e deverá situar-se em 121,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2018 e atingir os 95% em 2027.

Também previu uma desaceleração económica nos próximos dois anos.

Agora, Winslow referiu que a descida era justificada em parte com as diminuições nas exportações.

Mas, há aspetos que suportam a economia e não haverá uma “redução grande” no crescimento do PIB, apontou, recordando as perspetivas de uma expansão de 1,5%.

Como aspetos de suporte, o especialista enumerou as dinâmicas do mercado laboral, nomeadamente a grande redução do desemprego, que deve continuar, com a média deste ano a dever situar-se nos 6,4% passando a 6% em 2020.

Estas estimativas comparam com os 7,2% do ano passado, lembrou Winslow, referindo que o mercado laboral “vai ajudar a suportar o consumo privado” e de, uma forma geral, continuar a levar a um crescimento do PIB.

“As exportações têm sido uma história de sucesso em Portugal e, durante vários anos, suportaram o crescimento do PIB. Em 2018, o crescimento do PIB teve uma ampla base, com o consumo privado, investimento e exportações a contribuírem” para essa subida, referiu.

Assim, um ambiente mais difícil de exportações torna-se num “desafio extra” e numa parte da justificação para a desaceleração do crescimento, mas face aos vários fatores de suporte económico a Fitch deve manter as previsões feitas em novembro.

O especialista lembrou que a avaliação é feita num ciclo, num ponto de vista de três a cinco anos e que é levada em consideração a tendência.

Este ano, a Fitch fará a primeira revisão sobre Portugal no dia 24 de maio e a segunda em 22 de novembro.

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