OE2017

Fitch. Rating de Portugal depende demasiado da banca

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"Qualquer solução que se encontre nos bancos terá um impacto nas contas públicas", considera o economista da Fitch que segue Portugal.

A qualidade do crédito concedido a Portugal depende demasiado da saúde dos bancos que operam no país, disse Federico Barriga Salazar, o economista da Fitch que segue a República Portuguesa. O rumo da dívida e a intensidade das reformas estruturais também são decisivas.

“Qualquer solução que se encontre nos bancos terá um impacto nas contas públicas”, nesse sentido “o sector financeiro é chave para o rating”. Além disso, “estamos a ver se há mudanças estruturais na economia, no sector público, nas empresas”, acrescentou o mesmo perito, em Lisboa, esta quinta-feira.

Esta agência de rating é uma das três que ainda classifica a dívida portuguesa como um investimento especulativo, ou seja, “lixo”, e na sexta-feira da próxima semana tem agendada uma atualização da nota da dívida.

Numa conferência Credit Outlook 2017, que decorre esta quinta-feira num hotel de luxo em Lisboa, o analista fez um retrato algo preocupado de Portugal, sobretudo em relação à dimensão financeira e bancária da economia, antecipando-se assim poucas mudanças na nota atribuída a Portugal.

“O rating soberano de Portugal é BB+, com perspetiva estável, é constrangido pela dívida elevada e o crescimento fraco”, disse a Fitch no final de outubro, na avaliação ao Orçamento do Estado para 2017.

Salazar clarificou primeiro que está um pouco mais inquieto com os bancos e com os danos que estes podem provocar na economia e nas contas públicas. “A ligação entre bancos e governo é muito importante e qualquer solução que se encontre nos bancos terá um impacto nas contas públicas. Estamos muito atentos a isso”, alertou o economista espanhol em resposta a uma pergunta da audiência.

Antes, tinha deixado claro que “em Portugal, os desenvolvimentos no sector financeiro tornaram-se chave para o rating, mas não me vou alongar muito porque para a semana temos agendada uma revisão do rating”, referiu.

Além disso, continuou Federico Salazar, para fazerem a análise do país e definir o rating “estamos a ver se há mudanças estruturais na economia, no sector público, nas empresas”.

Constatou então que “Portugal continua a ser um dos países mais endividados do mundo quando olhamos para a dívida externa” e também “acompanhamos as tendências orçamentais e de dívida” e as “reformas estruturais”, que também são essenciais para o nível do rating.

Em outubro, na tal opinião sobre o novo OE, a agência disse que o plano orçamental apresentado “é coerente com a nova visão de que as autoridades portuguesas continuarão a reduzir o défice orçamental, apesar da retórica anti-austeridade do governo e de algumas medidas mais populares como o aumento dos salários do sector público e a subida das pensões”.

Mas reconheceu também que a proposta de OE “prolonga o histórico do governo minoritário socialista numa política orçamental prudente” e que “o risco de embates políticos entre os socialistas e os mais radicais PCP e BE parecem ter diminuído de forma significativa, assegurando mais uma política de estabilidade”.

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