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Fitch. “Votação do Orçamento vai ser primeiro teste à estabilidade do governo”

O primeiro-ministro, António Costa (C), o secretário de Estado Duarte Cordeiro (E) e o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira (D). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
O primeiro-ministro, António Costa (C), o secretário de Estado Duarte Cordeiro (E) e o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira (D). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

A agência de notação financeira aproxima previsões às do governo. Dívida elevada e balança externa travam subida do rating.

A Fitch não espera grandes alterações na política económica e orçamental com o novo governo minoritário do PS, mas a falta de um apoio formal no Parlamento alterou o contexto de negociações. E o primeiro teste para António Costa vai ser já na votação do Orçamento do Estado para 2020.

A agência de notação financeira manteve esta sexta-feira o rating da República em BBB, com a perspetiva “positiva”, não alterando a avaliação da dívida de longo prazo. No relatório que acompanha a avaliação, a Fitch refere que apesar de ser um governo minoritário, o reforço da representação parlamentar do PS “deverá ser suficiente para conseguir o apoio necessário” caso a caso.

“Um primeiro teste à estabilidade do governo será na votação parlamentar do orçamento de 2020 no início do próximo ano”, acrescentando que “os principais cargos ministeriais sofreram poucas alterações sendo esperada uma ampla continuidade da política económica e orçamental”, escrevem os analistas da agência norte-americana.

“O crescimento económico se aguentou bem, com uma evolução anual média de 2% nos primeiros três trimestres de 2019, comparando com uma média de 1,2% da zona euro”, sublinha a Fitch, que reviu em alta as previsões de maio de 1,7% do PIB para 1,9%, exatamente o mesmo que Mário Centeno. Já para 2020 e 2021 a agência de notação é mais pessimista, esperando um crescimento de 1,7% e 1,9% (o governo aponta para 2% no próximo ano).

O que travou subida do rating
A agência de notação financeira aponta as melhorias do país em quase todos os indicadores: crescimento do PIB, saldo orçamental, estabilidade do sistema financeiro, mas há duas rubricas em que o país sai mal na fotografia: dívida pública e balança externa.

No primeiro caso, os analistas da Fitch elogiam a trajetória de redução da dívida, mas sublinham que “a 122,2% do PIB no final de 2018, a dívida pública está muito acima da mediana” dos países com notação de triplo B e da zona euro (85,9%). A sustentabilidade da dívida melhorou, indicam os analistas que aplaudem o reembolso antecipado de dois mil milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, em outubro, bem como a diversificação dos investidores e o aumento da maturidade média.

A manutenção do rating também ficou a dever-se à posição das contas externas do país, que a Fitch considera estarem numa posição “mais fraca do que a maioria dos soberanos com classificação ‘BBB'”, sublinhando que uma economia aberta como a portuguesa é “vulnerável a choques externos”.

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