Fly London prepara abertura de 2.ª loja em Nova Iorque

Apesar da crise no retalho, a Kyaia pondera reforçar a sua aposta na cidade mais populosa dos EUA. A Josefinas, que fechou a sua pop up, está centrada nas vendas online

A Kyaia, que abriu em 2014 a sua primeira loja Fly London em Nova Iorque, prepara-se para abrir um segundo espaço na Grande Maçã. A grande incógnita, para já, é se manterá as duas lojas em funcionamento ou se acabará por encerrar o espaço de Bleecher Street, no SoHo. O Dinheiro Vivo sabe que as duas hipóteses estão em cima da mesa.

“O sítio onde abrimos a primeira loja era muito bom, mas hoje há muitas lojas encerradas por ali e agora estamos a pensar em outro local para abrir. Temos duas ou três zonas predefinidas para uma segunda loja, mas ainda não decidimos onde, nem se vamos manter as duas. São coisas que estamos a estudar com quem conhece o mercado”, explicou ao Dinheiro Vivo o presidente da Kyaia. Fortunato Frederico reconhece que, ao fim de quatro anos, a loja “ainda dá prejuízo”, apesar de ter conseguido, recentemente, renegociar a renda. De qualquer forma, é uma aposta “que vale a pena”, pelo “valor acrescentado que aporta à marca. Quanto custa um anúncio numa revista? Ao menos uma loja está ali, 24 sobre 24 horas, não vai para o lixo. E permite que o cliente entre, veja o sapato e lhe toque. É um tipo de publicidade diferente mas que é muito importante”, sublinha.

Menos bem-sucedida foi a aposta da Josefinas no retalho americano. Criada em 2013, e muito centrada no negócio online, a Josefinas anunciou, em 2016, a abertura da sua primeira loja física, em Nova Iorque, tornando-se, a par da Fly London, a segunda marca portuguesa de calçado a marcar presença na famosa cidade norte-americana. Nas notícias publicadas na altura, a empresa dava, apenas, conta da abertura da sua flagship store, também no bairro do SoHo, em resultado da ronda de investimento levantada pela startup portuguesa através de uma call da Portugal Ventures para financiar a internacionalização da marca. A call poderia chegar aos 1,5 milhões, mas a Josefinas nunca chegou a avançar com o valor do investimento. Em setembro de 2017, a loja de Nova Iorque encerrou.

“A intenção sempre foi que o espaço fosse uma pop-up porque a nossa estratégia e a nossa força continua a ser, essencialmente, o digital. A experiência de retalho é muito difícil, mas foi uma aprendizagem”, explicou ao Dinheiro Vivo a cofundadora da marca. Sofia Oliveira assume que a intenção é voltar a ter espaços temporários quer em Nova Iorque quer em Los Angeles, onde a marca tem também uma “base importante de clientes”, mas também no México e no Reino Unido. “São mercados onde estamos a crescer e onde uma experiência física, limitada no tempo, acaba por ter muito impacto para alavancar a marca.” Presente em mais de 65 países - a Josefinas não indica quanto fatura -, a marca tem nos EUA o seu principal mercado, que vale 20% a 25% das vendas.

Os EUA são a mais recente aposta estratégica da indústria portuguesa de calçado que, esta semana, realizou um grande evento de moda no Standard Hotel, em parceria com as associações de vestuário e da ourivesaria. Das 30 marcas representadas, 19 são de calçado e que estarão, de 12 a 14 de agosto, a expor em Las Vegas, na mais importante feira do setor. É o caso da Pregis, que já trabalha com o mercado americano há vários anos, mas em regime de subcontratação. Promover a sua própria marca é a aposta atual. “Estamos muito satisfeitos, o evento no Standard Hotel foi excelente e ajudou à divulgação da marca. Apareceram-nos muitos interessados”, diz Manuel Silva, fundador da Martiape, a empresa que detém a Pregis. Com uma faturação superior a 10 milhões de euros em 2017 (tinha sido de 12 milhões no ano anterior), a Martiape tem nos EUA, Dinamarca, França, Inglaterra e Austrália os seus principais mercados. Tudo o que produz, na ordem dos 250 mil pares ao ano, são destinados à exportação.

Também a Felmini está “muito confiante” nos resultados da ação de promoção. A marca de Felgueiras está a regressar aos EUA, após alguns anos de interrupção, agora que tem um novo distribuidor. “O ano está difícil, a vida está a mudar, as lojas tradicionais vão desaparecendo aos poucos e temos de nos adaptar procurando novos mercados”, afirma Joaquim Moreira, que se recusa a estabelecer metas. "Os nossos objetivos vão sendo construídos no dia-a-dia, é assim que se conquista a experiência", garante. Presente em mais de 30 mercados, sempre com a sua marca própria, o empresário pretende, este ano, entrar em cinco novos destinos, dois dos quais na Europa, onde arranjou novos distribuidores. Mas não especifica quais.

Com uma produção de 16 mil pares ao mês, a Felmini tem, ainda, em Itália o seu principal destino, mas as exportações para a Alemanha estão a ganhar importância crescente e a aproximarem-se a passos largos. Dá emprego a 150 pessoas. "Baixamos à produção mas não mandamos ninguém embora. Houve um ou outro que se reformou e um ou outro que emigrou, mas não mandamos ninguém embora. As coisas não estão fáceis, mas a solução é continuar a lutar em todas as frentes. Vendemos cada vez mais a clientes com lojas online e cada vez menos ao retalho tradicional", explica Joaquim Moreira.

Mas nem só de boas experiências são feitas as apostas da indústria do calçado pelo mundo. Há quatro anos, a Colômbia era o foco. O objetivo era que servisse de plataforma de acesso aos mercados circundantes, como o Peru, o Chile e o Panamá. Em 2014, foram 15 as empresas presentes na Colombiamoda, número reduzido a três este ano. A APICCAPS, a associação da indústria, garante que o mercado está em stand by, já que a desvalorização do peso, da ordem dos 30%, tornou as exportações demasiado caras. “Gastámos muito dinheiro na Colômbia, é verdade, mas isso é relativamente irrelevante porque percebemos o mercado e há muitas empresas que têm lá contactos e que a relação funciona. E as nossas exportações passaram de quase zero para dois milhões de euros”, destaca Manuel Carlos, chairman da APICCAPS.

3 perguntas a

Manuel Carlos

Chairman da APICCAPS

"Boas notícias para o mundo"

Este é o momento certo para apostar no mercado americano, atendendo à guerra comercial entre os EUA e a UE?

Nunca sabemos, temos de fazer apostas. Nem sempre são bem sucedidas, mas o mundo é feito disso e nós temos de aprender com os resultados dessas experiências. Os efeitos das barreiras ao comércio são imprevisíveis e, neste momento, estão quase a uma escala planetária, é muito difícil ver de onde é que podem vir os efeitos. Os EUA estão a pensar como podem diminuir o seu défice externo, que é enorme, e, com isso, estão a entrar numa senda de protecionismo que o mundo já não conhece há muito tempo. Mas o protecionismo nunca traz resultados positivos e deixa marcas.

Como vê os resultados do encontro do presidente americano com o líder da Comissão Europeia?

São boas notícias para o mundo.

Consistentes?

Veremos.

Mas o ano está a ser difícil, com as exportações a cair...

Há uma mudança significativa no comércio mundial. Há muita turbulência, muita apreensão quanto ao futuro, e há mesmo uma profunda mudança no modo de fazer os negócios que nós ainda não conseguimos interpretar bem. Antecipar a mudança é hoje um exercício muito difícil, porque é preciso tempo e não o temos. Temos de nos ir adaptando. Está a ser muito difícil, mas chamo a atenção para um pormenor, é que todos os meses vamos reduzindo a quebra inicial das exportações.

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