FMI: “Ajuste orçamental não tem de ser levado ao máximo”

Christine Lagarde, diretora geral do FMI
Christine Lagarde, diretora geral do FMI

O ajuste orçamental “brutal” não tem de ser levado até ao seu “máximo”, disse hoje a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitindo erros cometidos pelo organismo na sua avaliação sobre a situação de alguns países.

“Temos de ter uma perspetiva a longo prazo”, disse hoje a directora-geral do FMI num encontro de economistas em França.O ajuste orçamental “brutal” não tem de ser levado até ao seu “máximo”, disse hoje a diretora geral do FMI, Christine Lagarde, admitindo erros cometidos pelo organismo na sua avaliação sobre a situação de alguns países.

“Não pensamos que seja preciso um ajuste orçamental brutal até ao máximo”, declarou a responsável do Fundo Monetário Internacional num encontro de economistas em Aix-en-Provence, no sudeste da França.”Temos de ter uma perspetiva a longo prazo”, acrescentou, referindo que os “erros”cometidos pelo FMI na sua avaliação de algumas políticas aplicadas em certos países foram uma consequência de parâmetros que mostraram não serem fiáveis.”Fizemos duas vezes”, disse Christine Lagarde a respeito da revisão por parte do organismo de planos orçamentais em relação a medidas destinadas a enfrentar a crise económica.”Fizemo-lo por escrito, fomos vilipendiados, mas é a tradição e a honra do FMI, dizer que estávamos errados”, disse a diretora do organismo.”Não previmos que fosse ocorrer uma grande crise de liquidez”, referiu, sublinhando que estão pela frente desafios em matéria de regulação da atividade do setor financeiro.

Christine Lagarde declarou que “a vigilância eterna é indispensável”, referindo-se à necessidade de contar com um marco regulatório mais rigoroso em relação às instituições financeiras e recordou que a ausência de regulação antes da crise está na origem desta.Acrescentou que alcançar a recuperação do crescimento económico é essencial porque “é o melhor provedor de emprego”, depois de recordar que há mais de 200 milhões de desempregados do mundo e que 12 por cento deles estão em países da zona euro.”Muitos destes países têm que se comprometer com reformas estruturais para aumentar a produtividade”, avisou Lagarde, que defendeu maior esforço em relação com o emprego das mulheres para impedir que persistam em muitos países as diferenças salariais em relação aos homens.Christine Lagarde também antecipou uma ligeira queda nas previsões da conjuntura mundial realizadas pelo FMI, que serão anunciadas nos próximos dias.

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