Análise

FMI alerta: imóveis estão a voltar a preços pré-crise

Sede do FMI. (Foto: REUTERS/Yuri Gripas)
Sede do FMI. (Foto: REUTERS/Yuri Gripas)

Economistas do FMI realçam que ainda não é hora de pânico, mas de reforçar vigilância. Portugal com a 15ª maior subida anual entre 63 países estudados

Os preços dos imóveis em vários países estão a subir aceleradamente até aos níveis pré-crise, alerta um estudo de economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado na quinta-feira. A hora ainda não é de pânico mas é tempo de apertar a vigilância, pedem.

“Entre 2007-08, os preços dos imóveis colapsaram marcando o início da crise. Agora, o índice de preços de habitação do FMI mostra que estamos quase de volta a preços pré-crise”, apontam Hites Ahir e Prakash Loungani, do FMI. “É hora de nos voltarmos a preocupar?”

Analisados os preços e as condições de mercado de dezenas de países, a resposta é que chegou o tempo de apertar a vigilância para se evitar o erro de achar “que desta vez é diferente”. E explicam o porquê de ainda não ser hora de pânico: a evolução dos preços não está a ocorrer de forma sincronizada em todos os países e cidades ao contrário do pré-crise, e hoje já existe alguma regulação para contrariar estas “bolhas”.

Evolução “Global Real House Price Index”, do FMI

 

Portugal: Bust and Boom

Os economistas analisaram a evolução do mercado em 63 países, identificando e dividindo 57 por três tipos comportamentos: Em 18 países, os preços caíram com a crise e assim persistem; na segunda categoria, também com 18 países, os preços colapsaram e sobem agora de forma significativa. Por fim, em 21 países os preços caíram um pouco e revalorizaram logo.

O estudo coloca Portugal na segunda categoria, a que chamam de bust and boom, já que depois de uma queda acentuada os preços voltaram a ter subidas significativas a partir de 2013. Segundo os dados avançados pelo FMI, os imóveis em Portugal valorizaram 6,4% no último ano, o 15º registo mais elevado dos países analisados [em baixo]. Esta evolução surge apesar da contração do crédito em Portugal e do quase congelamento dos ganhos médios no país, salientam.

Evolução dos preços pelo globo, nos últimos 12 meses. Fonte: FMI

Evolução dos preços pelo globo, nos últimos 12 meses. Fonte: FMI

 

Mas a falta de crédito em países como Portugal é outra razão para os responsáveis do FMI recomendarem “vigilância”. “Muitos dos ‘booms’ no imobiliário foram alimentados pelo excesso de crescimento do crédito.” Desta vez, o detonador é outro, a falta de oferta. “As licenças para novas habitações cresceram só modestamente (…) e o impacto das limitações da oferta é evidente em várias cidades”, dizem.

Isto não é melhor, nem pior, é diferente: “Mesmo que os preços subam só devido à oferta, o impacto no endividamento das famílias pode ser adverso para a estabilidade financeira.”

É que a subida de preços não encontra correspondente nos rendimentos das famílias que, com a entrada de investidores a puxar preços, acabam por ser obrigadas a um maior esforço (risco) para comprar ou arrendar uma habitação – vários investidores estão a refugiar-se no imobiliário numa fase de rentabilidade reduzida em vários ativos e de receios vários em relação ao futuro de outros ativos.

Outros alertas: BCE e CMVM

Aanálise dos economistas do FMI surge depois de na última semana também o Conselho Europeu para o Risco Sistémico (CERS), do Banco Central Europeu ter apontado baterias ao mercado imobiliário residencial da zona euro. O CERS emitiu no início do mês alertas a oito países da União Europeia por identificar nos mesmos “vulnerabilidades de médio-prazo” no mercado imobiliário suscetíveis de ter impacto sistémico na estabilidade financeira de toda a região.

Também o ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, já alertou para o regresso da tendência de subida acentuada de preços dos imóveis em vários países, além de vários outros sinais “preocupantemente paralelos” à crise de 2008.

“Vários mercados retomaram o comportamento ascendente dos preços, encontrando-se hoje em alguns casos já bem acima dos níveis de 2007. Outros mercados, que no pré-2007 tinham escapado às bolhas imobiliárias (casos dos países do norte da Europa continental, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia, por exemplo), têm hoje comportamentos de preços que dificilmente poderão deixar de ser classificados como ‘bolhas’”, alertou num estudo publicado em outubro pela CMVM.

Evolução do crédito nos últimos 12 meses. Fonte: FMI

Evolução do crédito nos últimos 12 meses. Fonte: FMI

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