FMI alerta para risco de nova “bolha” imobiliária

Mercado imobiliário pode trazer problemas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou ontem à adoção de medidas urgentes para evitar uma nova bolha imobiliária, semelhante à que desencadeou a crise de 2007/2008, dado que os preços das casas estão muito acima da média histórica em vários países, sobretudo em emergentes como Filipinas, China e Brasil. E deu o exemplo: criou um novo observatório encarregue de registar e comparar a evolução dos preços nos diversos países - Global House Price Index.

O rebentar da bolha imobiliária, designadamente nos EUA, em resultado do chamado subprime (empréstimos hipotecários de elevado risco) está na base da crise que ainda hoje se vive, recorda o FMI. Por causa disso, pretende agora monitorizar, através deste índice, os preços da habitação em 51 países, incluindo Portugal.

Leia também Britânicos, chineses e franceses foram os que mais investiram em imobiliário

Segundo este índice, os preços das casas têm vindo a subir, a nível mundial, há sete trimestres consecutivos até ao final de 2013. Portugal surge em 42.º lugar, mas foge a esta tendência mundial. Segundo o FMI, o valor das casas em Portugal, comparativamente aos rendimentos das famílias e das rendas, está abaixo da média histórica do país (dados relativos ao quarto trimestre de 2013). A situação não é exclusiva de Portugal, estende-se aos restantes países periféricos da zona euro.

Também o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) acredita que a situação em Portugal é completamente distinta. Luís Lima garante que não só “nunca houve qualquer risco de bolha imobiliária em Portugal”, como, atualmente, o país se confronta já “com casos em que a procura excede a oferta”.

“Ao contrário de Espanha, que nos sete anos anteriores à crise viram os seus imóveis valorizar mais de 130%, ou dos Estados Unidos, que valorizaram 110%, em Portugal, não passou dos 14%. Nunca houve qualquer risco de uma bolha imobiliária. Portugal tinha problemas pontuais, designadamente uma grande quantidade de imóveis nas periferias, que deviam ser direcionados para o mercado de arrendamento, porque dificilmente conseguirão ser vendidos”, diz Luís Lima.

Lembra que se falava muito num excesso de imóveis na zona da Expo e garante que hoje “essa questão já não se coloca”. Tal como a procura em Vilamoura, por parte de investidores franceses, tem disparado. “O que me preocupa é que haja um aumento exagerado de preços”, assume.

Miguel Poisson, da Era, concorda, e lembra que os imóveis portugueses são vistos pelos investidores estrangeiros como “ativos seguros, menos sujeitos a desvalorizações do que em Espanha, onde o impacto da crise levou a desvalorizações que chegaram aos 50, 60 e 70%”.

E o mercado começa a recuperar, a reboque, precisamente, dos investidores estrangeiros. “Sentimos que o ponto de inflexão foi o último trimestre de 2013”, diz Miguel Poisson.

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