FMI alerta. Preços das casas podem colapsar outra vez

“A subida rápida dos preços das casas em muitos países ao longo dos últimos anos suscita alguns receios", refere o FMI num novo estudo.

Os preços das casas subiram muito e talvez demasiado em vários países do mundo e isso pode significar que há mercados imobiliários que podem colapsar ao longo dos próximos três anos, como já aconteceu no passado, na crise financeira de 2008, avisa o Fundo Monetário Internacional (FMI), num capítulo preliminar do seu relatório semestral sobre a estabilidade financeira global, publicado esta quinta-feira.

“A subida rápida dos preços das casas em muitos países ao longo dos últimos anos suscita alguns receios sobre a possibilidade de uma queda e eventuais consequências”, escreve o FMI no novo trabalho, em que se debruçou sobre a situação de 22 países avançados, 10 mercados emergentes e algumas cidades de grande dimensão. Portugal não foi analisado.

A instituição dirigida por Christine Lagarde está a seguir de perto a evolução destes mercados até porque podem servir de alerta, de indicador antecipado, relativamente a novas crises que se estejam a formar no horizonte. Seguir a par e passo os preços do imobiliário “ajuda a fazer modelos de alerta precoce de crises financeiras”.

O Fundo observa que “o menor dinamismo dos preços das casas, a sobrevalorização, o aumento excessivo do crédito e as condições financeiras mais apertadas antecipam riscos negativos para os preços das casas nos próximos três anos”.

Além disso, “quebras significativas nos preços da habitação podem afetar adversamente o desempenho macroeconómico e a estabilidade financeira, como aconteceu durante a crise financeira global de 2008 e noutras ocasiões”.

Assim, para o FMI “as estimativas evidenciam que os riscos negativos sobre os preços das casas mudaram desde a crise financeira”, para melhor. Os países que incorreram em maiores riscos enfrentam “atualmente riscos, embora mais baixos”.

No entanto, “em muitas economias avançadas e emergentes os preços das casas continuam a ser um risco”.

Banco de Portugal, FMI e Bruxelas já tinha avisado Portugal

Embora Portugal não seja referido neste estudo, os últimos diagnósticos da situação mostram que os preços nacionais estão a subir de forma muito mais rápida (o dobro ou mais) do que noutros países.

Recentemente, o FMI reforçou o alerta em relação ao caso português em concreto.

Disse que há sinais de que se estão a acumular “desequilíbrios” relevantes em “algumas áreas” do mercado imobiliário em Portugal, isto quando pouco tempo antes tinha sido o Banco de Portugal (BdP) a dizer que “na segunda metade de 2017 começaram a existir sinais de alguma sobrevalorização dos preços” das casas.

Na avaliação anual à zona euro (Artigo IV), divulgada no verão passado, o FMI reparou que “existem vulnerabilidades financeiras que podem estar a emergir em determinadas bolsas”, em certas regiões.

“Há sítios – por exemplo, Luxemburgo, algumas cidades alemãs, algumas áreas em Portugal e Holanda – onde os desequilíbrios entre a procura e a oferta estão a levar a uma forte valorização do imobiliário residencial ou comercial”, avisou o Fundo dirigido por Christine Lagarde.

No mês passado, foi a vez da Comissão Europeia avisar o Eurogrupo (presidido por Mário Centeno) e Portugal sobre este problema.

Numa avaliação ao imobiliário europeu, Bruxelas disse que “aconteceram acelerações consideráveis nos últimos anos em vários Estados-Membros, como por exemplo, Irlanda, Portugal, Eslovénia”.

No caso de Portugal, Bruxelas mostra que o preço médio das casas caiu, em termos reais, cerca de 10% no período antes da crise (2000 a 2007), mas depois entre 2008 e finais de 2018 conseguiu corrigir essa desvalorização com os preços a dispararem à volta de 10%.

Mais recentemente, diz a CE, esse tem sido o ritmo de valorização das casas nos países sob observação. Foi de 10% em 2017 e 2018 em Portugal e na Eslovénia (variações homólogas medidas no meio de cada ano), aumentos que apenas foram superados pelos da Irlanda (cerca de 11%).

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