FMI confirma recessão na zona euro. Portugal arrastado em 2013

Draghi e Lagarde em Sintra, a 25 de maio
Draghi e Lagarde em Sintra, a 25 de maio

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba da lançar um alerta laranja relativamente à economia da zona euro e, indiretamente, um aviso sério a Portugal este ano, quando já se perfila um agravamento da recessão. O Banco de Portugal diz que vai ter o dobro da violência prevista até agora pelo Governo.

A atualização do World Economic Outlook (relatório das perspetivas económicas mundiais), que acaba de ser divulgada, indica que a região da moeda única vai ter uma recessão de 0,2% este ano, o que coloca uma pressão negativa enorme sobre a recessão desde já prevista para Portugal este ano.

Espanha, o principal parceiro comercial e de investimento de Portugal, também sai pior no retrato: o FMI projeta uma recessão de 1,5%, menos uma décima face a outubro. A Alemanha, a maior economia do euro, está à beira da estagnação: deve crescer apenas 0,6% quando antes se apontava para 0,9%. França, o segundo maior mercado, deverá crescer só 0,3%.

O crescimento mundial continua a perder gás (cerca de 3,5%, menos uma décima do que há três meses). A zona euro é a economia avançada mais penalizada nesta revisão; os Estados Unidos também foram beliscados: crescerão 2%, menos uma décima face à previsão anterior.

A nota do FMI traz vários avisos específicos à Europa. “Na área do euro, o regresso da recuperação depois de uma contração prolongada está adiada”. “Os riscos negativos continuam a ser significativos, incluindo retrocessos renovados na zona euro e riscos de uma consolidação orçamental de curto prazo excessiva nos Estados Unidos”.

E insiste: “A zona euro continua a colocar riscos negativos grandes para as perspetivas globais. Em particular, os riscos de estagnação prolongada na zona euro irão aumentar no conjunto da zona euro se o ritmo das reformas não for mantido”.

E avisa que os mais ricos devem ajudar os mais pobres, apesar de pugnar por um aprofundamento do ajustamento. “Os esforços de ajustamento dos países da periferia [Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha] precisam de ser sustentados e têm de ser suportados pelos países do centro, incluindo através do desenvolvimento completo dos mecanismos de proteção europeus, a utilização da flexibilidade oferecida pelo Compacto Orçamental [Fiscal Compact] e novos passos na direção de uma união bancária completa e de uma maior integração orçamental”.

No passado dia 15, o Banco de Portugal apresentou uma previsão de recessão de 1,9% para Portugal este ano (Governo, Bruxelas e FMI esperam -1%), que justificou com o facto de a procura interna dever evoluir pior do que esperado por causa do processo de ajustamento e com a forte revisão em baixa do ritmo de atividade da zona euro feita pelo BCE em dezembro.

O BCE previu uma contração em redor dos 0,3% na zona euro quando antes acreditava num ligeiro aumento da atividade. O BdP fez a ligação que faltava, integrando nas suas contas o novo cenário externo.

No boletim de inverno, reparou que “as atuais hipóteses traduzem uma revisão em baixa muito significativa do crescimento da procura externa em 2013 (cerca de 2 pontos percentuais) face ao considerado no boletim económico do outono”. E que “a desaceleração em 2013 traduz um forte abrandamento da atividade nas economias da área do euro, que representam cerca de 2/3 dos mercados de destino das exportações portuguesas, não obstante a manutenção de um crescimento robusto nas economias de mercado emergentes”, observou o banco governado por Carlos Costa.

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