Previsões

FMI corta a fundo crescimento de Alemanha, França, Itália e Brasil

Christine Lagarde. Fotografia: REUTERS/Denis Balibouse
Christine Lagarde. Fotografia: REUTERS/Denis Balibouse

Evolução da economia mundial está outra vez "menos equilibrada, mais frágil e sob ameaça", avisa o economista-chefe do FMI.

Alguns dos maiores parceiros económicos de Portugal vão crescer bem menos do que se esperava há três meses. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa o crescimento previsto para este ano em países como Alemanha, França, Itália ou Brasil.

“A expansão da economia global ainda continua forte, mas está menos equilibrada, mais frágil e sob ameaça”, avisou esta segunda-feira a partir de Washington, o economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, na apresentação das projeções intercalares de julho.

O Fundo traz consigo o mesmo aviso que a Comissão Europeia fez na semana passada. A guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos pode propagar-se pelo mundo afetar o crescimento das economias mais abertas ao comércio internacional. Aparentemente, os primeiros impactos negativos já estão a acontecer.

As três maiores economias da zona euro, Alemanha, França e Itália, vão crescer menos três décimas de ponto percentual este ano (face ao que se calculava há três meses), avançando apenas 2,2%, 1,8%, 1,2%, respetivamente. Face a 2017, os abrandamentos são ainda mais pronunciados. As três economias estavam a crescer 2,5%, 2,3% e 1,5%, pela mesma ordem.

Para já Espanha parece imune à tendência de enfraquecimento das grandes economias europeias. A projeção do FMI mantém-se nos 2,8% em 2018.

No entanto, o efeito final é imediato e negativo para a economia da zona euro. Em vez dos 2,4% esperados em abril, a área da moeda única vai crescer só 2,2% em 2018. Mesmo assim um pouco melhor do que o previsto pela Comissão, que calcula 2,1% este ano.

Fora da Europa, o Brasil aparece como o caso mais crítico, com uma despromoção no crescimento de meio ponto. A economia sul-americana, outro parceiro importante de Portugal, só deve avançar 1,8% em 2018.

Maurice Obstfeld explicou em conferência de imprensa que “o risco de que as atuais tensões comerciais se agravem ainda mais – com efeitos adversos sobre a confiança, os preços dos ativos e o investimento – é a maior ameaça a curto prazo para o crescimento global”.

“Os Estados Unidos desencadearam ações comerciais que afetam um grupo grande de países e enfrentam agora retaliações ou ameaças de retaliação por parte da China, da União Europeia, dos seus parceiros do NAFTA [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio] e do Japão, entre outros”, resumiu o economista-chefe.

Assim, “o nosso modelo [econométrico] sugere que, se as atuais ameaças à política comercial forem percecionadas e a confiança dos empresários cair, a produção global poderá ficar cerca de 0,5% abaixo das projeções atuais até 2020”.

Para já, o FMI mantém o crescimento da economia mundial em 3,9% neste ano e no próximo, mas com esse reparo está a dizer que no outlook do outono a situação pode ser mais grave.

A estabilização do crescimento mundial é em parte explicada pelo facto de o FMI não mexer nas previsões para os Estados Unidos, ainda a maior economia do mundo, que este ano deve crescer uns expressivos 2,9%.

Petróleo e outros riscos em alta

O custo médio do barril de petróleo sobe de forma pronunciada (mais 15% face à projeção de abril), para mais de 70 dólares em 2018.

“Em algumas grandes economias da América Latina, da Europa emergente e da Ásia, projetamos taxas de crescimento abaixo das nossas previsões de abril. As interrupções na oferta e tensões geopolíticas ajudaram a elevar os preços do petróleo, beneficiando os exportadores de crude (por exemplo, Rússia e Médio Oriente), mas prejudicando os importadores (por exemplo, a Índia).”

Além disso, “outros riscos tornaram-se mais proeminentes desde a avaliação de abril”, observou ainda Obstfeld.

“A incerteza política aumentou na Europa, onde a União Europeia enfrenta desafios políticos fundamentais relativamente à política de migração, à dimensão orçamental, às regras do Estado de direito e à arquitetura institucional da zona euro. Os termos em que se fará o Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia] permanecem incertos apesar dos meses já decorridos de negociação”, lamenta o responsável da instituição dirigida por Christine Lagarde.

(atualizado às 16h00 com mais declarações de Maurice Obstfeld)

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