FMI corta retoma de Portugal para 3,9% mas mantém desemprego nos 7,7%

Lentidão nos planos de vacinação, apoios mais fracos e dependência do turismo são obstáculos sérios para a recuperação, avisou a economista-chefe do FMI.

Tal como têm feito as várias entidades que seguem a economia portuguesa, também o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou esta terça-feira) que reduziu o crescimento previsto para 2021.

Segundo o novo Panorama Económico Mundial (outlook da primavera), a retoma nacional vai rondar os 3,9% este ano em vez dos 6,5% calculados em outubro.

Segundo a instituição dirigida por Kristalina Georgieva, é o impacto negativo das medidas de confinamento decretadas em janeiro para responder aos níveis agressivos da pandemia.

Já o nível de desemprego português mantém-se em 7,7% da população ativa, o que será explicado pela continuidade das medidas de subsidiação do emprego (lay-off simplifica, apoio à retoma) e pelos programas de formação profissional, que evitam que muita gente seja classificada como não tendo trabalho.

A previsão de crescimento do FMI é igual à avançada pelo Banco de Portugal em março, mas ligeiramente inferior à da Comissão Europeia (em fevereiro, 4,1%) e bastante inferior àquela que o governo usou para fazer o Orçamento do Estado deste ano (5,4%).

"A pandemia ainda não foi derrotada e os casos de novas infeções estão acelerar em muitos países. As recuperações também estão a divergir de forma perigosa entre e dentro dos países", observou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath (na fotografia).

Os maiores perigos ou obstáculos às retomas são "a maior lentidão na implementação das vacinas", "os apoios políticos mais limitados". "Os países mais dependentes do turismo têm pior desempenho", disse a dirigente. É o caso de Portugal, como se sabe.

De acordo com o outlook, Portugal não está sozinho nesta revisão em baixa, claro. A zona euro como um todo cresce menos este ano (4,4% em vez dos 5,2% previstos há seis meses).

O maior parceiro da economia portuguesa, Espanha, também perde algum gás: cresce 6,4% em vez de 7,2%.

As grandes economias da zona euro também devem registar retomas mais fracas do que diziam os prognósticos de outubro. A Alemanha cresce 3,6% (antes era 4,2%), França avança 5,8% (menos duas décimas) e o produto interno bruto (PIB) de Itália soma mais 4,2%, menos um ponto do que há seis meses.

O FMI refere que "países europeus, como por exemplo Chipre, Itália, Malta, Portugal e Espanha), conseguiram salvar parte da época turística do verão ao desconfinarem em meados de 2020".

No entanto, "a isto seguiu-se um aumento muito forte nas infeções que forçaram novos confinamentos nos últimos meses de 2020 e início de 2021".

Em outubro, o FMI já alertava para o facto de "embora todos os países devam sofrer grandes quebras nas exportações e importações, a incidência deste fenómeno [por causa da pandemia] é desigual".

"As perspetivas comerciais são particularmente sombrias para as economias dependentes do turismo, onde as restrições às viagens internacionais, juntamente com o medo de contágio" pesam na atividade turística, "mesmo nas situações em que a pandemia parece contida". Era o caso de Portugal em outubro.

"Os dados da balança de pagamentos do primeiro semestre do ano mostram um colapso nas receitas líquidas de turismo e viagens no caso dos países onde esses setores têm uma importante relevância (por exemplo, Grécia, Islândia, Portugal e Turquia".

Estados Unidos crescem mais do dobro

A história dos Estados Unidos neste outlook é o contrário da narrativa que se aplica à Europa. A maior economia do globo vai afirmar-se como tal e cresce bastante mais do que se esperava em outubro.

Segundo o FMI, em vez dos 3,1% previstos em outubro, os EUA podem avançar este ano a um ritmo de 6,4%, muito apoiados pelo enorme programa de estímulos orçamentais da nova administração de Joe Biden e também pela política monetária da Fed amplamente generosa.

"As atualizações no crescimento global para 2021 e 2022 devem-se principalmente às atualizações para as economias avançadas, especialmente a uma atualização considerável no caso dos Estados Unidos, que deve crescer 6,4% este ano."

Para a instituição sedeada em Washington, "isso faz dos Estados Unidos a única grande economia que deve superar o valor do PIB previsto para 2022, caso não tivesse havido esta pandemia".

"Já as outras economias avançadas, incluindo a zona euro, também recuperam este ano, mas a um ritmo mais lento."

A China deve crescer 8,4% este ano. "Embora a economia chinesa já tenha recuperado para o nível do PIB pré-pandemia em 2020", "muitos outros países [emergentes ou em desenvolvimento] não deverão consegui-lo até 2023", nota o FMI no novo outlook.

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