FMI. Dentro de 20 anos, 24% dos trabalhadores serão velhos

"O stock de competências vai tornando-se cada vez mais datado à medida que a idade média dos participantes do mercado de trabalho aumenta".

Dentro de 20 anos, em 2035, 24,1% da força de trabalho em Portugal será considerada "velha", alerta um novo estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado sexta-feira, dia 8 de julho. O valor representa uma subida explosiva. Atualmente, essa proporção ronda já os 14,9%. Em Espanha, Itália e Grécia irá mais do que duplicar.

As economias também sairão a perder: por cada ponto percentual de aumento nesse "peso", há uma quebra de 0,2% na produtividade, argumenta a missão do FMI. Até pode haver muita experiência e conhecimento, mas as qualificações existentes serão cada vez mais obsoletas, conclui o estudo. Uma vez mais Portugal e aqueles três países são os casos mais preocupantes.

De acordo com o relatório do artigo IV (avaliação anual) da zona euro, Portugal terá, num grupo de 20 país, dos maiores pesos da população velha (55 a 64 anos), os tais 24,1% em 2035. Isto pressupõe uma aceleração rápida do envelhecimento populacional, a quarta maior do grupo estudado, com mais 9,2 pontos percentuais. Os casos mais agudos do que Portugal são Espanha (mais 14,4 pontos), Itália (11 pontos) e Grécia (13,9).

O problema, diz o FMI, é que sendo verdade que uma população trabalhadora mais velha ganha em experiência e conhecimento, também acontece que "o stock de competências vai tornando-se cada vez mais datado à medida que a idade média dos participantes do mercado de trabalho aumenta, o que tem efeitos negativos sobre a inovação e a produtividade".

O envelhecimento da força de trabalho, que caminha de mão dada com o envelhecimento da população total e com o declínio da natalidade, "será provavelmente um empecilho significativo ao crescimento da produtividade durante as próximas décadas".

"Estimamos que um ponto percentual a mais na faixa de idades de 55 a 64 anos no total da força de trabalho

esteja associada a uma redução da produtividade total dos fatores em cerca de 3/4 de ponto."

Assim, "extrapolando este resultado para o futuro, o envelhecimento esperado irá reduzir, em média, o crescimento da produtividade total dos fatores em 0,2 pontos percentuais, todos os anos, ao longo de vinte anos".

No caso de Portugal, assumindo esta métrica "média", significa que o crescimento será 1,8% mais baixo do que se projeta atualmente. Um problema, tendo em conta que o potencial da economia ronda 1%. Quer dizer que, se mais nada ajudar em sentido contrário, Portugal está condenado a ser um fracasso económico.

"O impacto negativo maior irá ocorrer em países como Espanha, Itália, Portugal, Grécia e Irlanda, onde se espera um envelhecimento rápido da força de trabalho, e onde os fardos da dívida já são elevados", escrevem os economista da missão.

"Espera-se que o peso dos séniores (trabalhadores com 55 anos ou mais) aumenta de forma aguda ao longo das próximas décadas", especialmente nesses cinco países referidos.

A poupança interna também sofrerá um declínio na medida em que os mais velhos tendem a poupar cada vez menos; as contas públicas também saem a perder porque o envelhecimento trará, tendencialmente, mais despesa relacionada com o aumento da idade, argumenta o Fundo chefiado por Christine Lagarde.

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