Outlook

FMI. “Temos de nos preparar para o próximo ciclo negativo”

Christine Lagarde. Fotografia: REUTERS/Ng Han Guan
Christine Lagarde. Fotografia: REUTERS/Ng Han Guan

Vários analistas e instituições alertam para riscos crescentes de nova crise e novos acidentes nos mercados financeiros. FMI também está preocupado.

Numa altura em que vários analistas e instituições alertam para riscos crescentes de uma nova crise e de novos acidentes nos mercados financeiros, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou esta quarta-feira que, dez anos volvidos, o mundo ainda não recuperou da destruição provocada pela crise de 2007/2008 e que os países têm de acelerar na redução da dívida e no saneamento dos seus bancos.

A instituição liderada por Christine Lagarde vai mais longe e diz que temos de “nos preparar para o próximo ciclo negativo”.

Num dos capítulos de análise que integram o novo Panorama Económico Mundial, publicação que será divulgada na íntegra na semana que vem, em Bali, na Indonésia, o FMI faz o balanço destes dez anos que passaram desde a grande crise financeira e económica e deixa claro que é preciso aprender bem as “lições” que podem ajudar a “preparar-nos para o próximo ciclo económico negativo [downturn]”, ciclo que virá, têm defendido várias instituições, agências de rating incluídas.

Este discurso de sobreaviso tem vindo a adensar-se nos últimos meses, com vários dirigentes, caso de Christine Lagarde, a chefe do FMI, mas também de responsáveis europeus, como Mário Centeno (ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo), a dizer que é preciso aproveitar agora que “o tempo está bom”, que o sol ainda brilha, para consertar bem o telhado da casa (das economias) de modo a aguentar as tempestades que hão-de vir.

Neste estudo do novo outlook do outono, o FMI repara que “dez anos depois, a sequência de choques secundários e de respostas políticas que se seguiram à falência do Lehman Brothers [em 2008] fizeram com a que a mediana da dívida pública em relação ao PIB da economia mundial subisse até aos 52%, acima dos 36% anteriores à crise”.

Além disso, “os balanços dos bancos centrais, particularmente nas economias avançadas, multiplicaram o seu tamanho várias vezes face ao que eram antes da crise; e os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento representam agora 60% do PIB global em paridade de poder de compra (comparado com os 44% na década anterior à crise), refletindo, em parte, uma fraca recuperação nas economias avançadas”.

(atualizado às 15h55)

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