FMI: “Dinheiro da troika é barato”

O chefe da missão do FMI
O chefe da missão do FMI

Até Fevereiro, o Governo terá que apresentar à troika um plano para
cortar quatro mil milhões em despesa pública. O chefe da missão do FMI
em Portugal, Abebe Selassie, elogia Vítor Gaspar e admite que a
austeridade tem que ser equilibrada
com o crescimento

Os juros cobrados pelo FMI e pela União Europeia rondam os 4% (menos no caso da UE) e estão em linha com o que é cobrado a outros países. Mesmo assim, muitos economistas e as forças sociais em Portugal têm insistido para que o Governo negoceie o preço e o prazo desses empréstimos. Menos juros e mais tempo para pagar. Isso é uma opção que pode ser considerada?

Temos que perceber que há muitos países que estão a ser solidários com Portugal. O facto de a Itália estar a financiar-se a 4,5% para emprestar fundos a 2,5% a Portugal é um exemplo. Para o FMI o custo é o mesmo. É dinheiro muito barato. O programa vai estabilizar quando for executado, estabilizando também os padrões de crescimento e a recuperação económica. E estamos muito perto de conseguir que a dívida estabilize, estabilizando também o défice primário. Quando tudo isso estabilizar, as hipóteses de Portugal voltar ao mercado são muito altas. Fundamentalmente, a única maneira de Portugal se financiar é através do mercado. Os empréstimos oficiais são sempre por um tempo limitado. Têm que voltar aos mercados. É nessa estrada que o país deve continuar.

Os investidores olham mais para o défice primário e para a dívida do que para o défice?

Olham para ambos e ambos contam. O crescimento também. Os investidores olham para uma série de indicadores. A chave é o regresso aos mercados. E dado o progresso que Portugal conseguiu, isso será melhor. Ao mesmo tempo, 2/3 do ajustamento fiscal estarão conseguidos no final deste ano. Na balança comercial, o ajustamento tem sido muito rápido. No início havia dois desequilíbrios: o primeiro no stock da dívida e o segundo nos fluxos financeiros, no défice Portugal conseguiu conter esses dois desequilíbrios.

Mas esse ajustamento tem sido feito, ao contrário do que inicialmente previsto, com 2/3 do lado da receita – via impostos – e só 1/3 do lado da despesa.

Sim, mas agora o foco será despesa. A chave é conseguir cortar despesa de uma forma metódica, de uma forma que leve em conta os efeitos a médio prazo. O debate sobre como cortar despesa é muito importante e ter que ser feito.

A diretora do FMI, Christine Lagarde, tem alertado para o perigo de uma austeridade excessiva. A Europa tem estado obcecada com o défice?

Acho que está a ser pouco simpático. Há um equilíbrio que tem que ser conseguido e isso é muito claro para os três membros da troika. Esse equilíbrio passa por ter cuidado com o impacto do ajustamento e no crescimento e isso influenciou muito o debate que tivemos em Setembro, quando o Governo pediu para as metas do ajustamento (défice em 2012 e 2013) serem suavizados (5% de défice este ano, 4,5% no próximo). O ministro das Finanças deu – na altura – argumentos convincentes, como a descida na taxa de juros cobradas a Portugal nos mercados e concordámos em relaxar as metas. Sobretudo pelo efeito que isto teria no crescimento e pelo enquadramento externo.

Qual é a opinião que tem de Vítor Gaspar? Tecnicamente? E pessoalmente?

(risos) Vocês têm um ministro das Finanças muito impressionante. E não posso dizer mais.

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