FMI diz que foi o Governo a influenciar o relatório sobre cortes

Vítor Gaspar e Passos Coelho
Vítor Gaspar e Passos Coelho

O Fundo Monetário Internacional declarou hoje que o Governo português teve mão na elaboração do último relatório, apresentando sugestões para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública.

Em declarações à Rádio Renascença, o FMI diz ter-se baseado nos argumentos do Executivo português para a elaboração do relatório final, que sugere que se corte nos salários e nas pensões, aumentando ainda as taxas moderadoras e as propinas.

Na última visita a Portugal, o FMI terá entregue um esboço do relatório aos membros do Governo, que acrescentaram os seus comentários, com base nos quais foi elaborado o relatório final, divulgado a 9 de janeiro. Diz a Renscença que a nota escrita enviada pelo FMI defende que “cabe às autoridades nacionais decidir o destino a dar ao relatório.”

Em nome do PS, Carlos Zorrinho já manifestou a sua indignação perante o sucedido, acusando o Governo de “mau carácter”.

“Afinal, o estudo independente que o FMI tinha feito para o estudo português era uma encomenda em que o FMI tinha bem delimitado aquilo que tinha de dizer e o que tinha de dizer era o que o Governo queria que o Governo dissesse” contestou Zorrinho.

O líder parlamentar dos socialistas acrescenta ainda que “embora não concordemos com o princípio de se encomendar lá fora aquilo que se deve fazer cá dentro, até é uma escolha legítima, o que é absolutamente ilegítimo é tentar passar por um estudo independente aquilo que foi uma encomenda.”

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