FMI exige manutenção do consenso político em Portugal

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI
Christine Lagarde, diretora-geral do FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está visivelmente incomodado com os mais recentes desenvolvimentos políticos e sociais em Portugal.

Em declarações a uma publicação interna do próprio FMI – a IMF Survey Magazine -, o diretor do departamento europeu da instituição, Reza Moghadam, diz claramente que Portugal poderá estar à beira de perder o tão preciso consenso político “amplo” que teve até agora. Isso pode deitar a perder os sucessos do ajustamento.

“Provavelmente, o mais importante em Portugal tem sido o apoio político amplo ao programa, embora manifestações recentes evidenciem que isto não pode ser tomado por adquirido”, advertiu Reza Moghadam, um dia antes (domingo passado) de Vítor Gaspar entregar a proposta de Orçamento do Estado na Assembleia.

Entretanto, instalou-se uma cortina de ruído e de vozes dissonantes no seio da coligação PSD/CDS em relação às opções definidas por Vítor Gaspar na proposta de OE. Elementos do CDS estão a demarcar-se do aumento “enorme” de impostos. Gaspar desafiou os críticos a arranjarem alternativas do lado da receita. Ninguém respondeu até agora.

“Tal como a Irlanda, Portugal demonstrou até agora um desempenho forte no âmbito do seu programa”. O alto responsável que foi ocupar o lugar deixado vago por António Borges sublinha que o país “levou a cabo uma troca de obrigações bem sucedida que ajudou a suavizar o seu perfil de maturidades”.

Para além disso, “os desafios para melhorar a sua posição de competitividade de longo prazo foram identificados e o saldo orçamental primário [no caso português, défice público sem contar com juros] está no bom caminho”.

Mas “é necessário fazer mais em ambas as frentes [competitividade e orçamento]”, sendo que “o enfraquecimento da economia complica as tarefas orçamentais”.

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