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FMI: “O mundo está a ganhar velocidade e deve crescer 3,9%”

Christine Lagarde e Angela Merkel. Fotografia: REUTERS/Hannibal Hanschke
Christine Lagarde e Angela Merkel. Fotografia: REUTERS/Hannibal Hanschke

Mas este impulso favorável "reflete uma confluência de fatores que provavelmente não durará muito", deixou cair o economista-chefe do FMI.

O crescimento da economia mundial ganhou alguma força e foi revisto em alta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “O mundo está a ganhar velocidade e deve crescer 3,9% em 2018 e 2019”, referiu o economista-chefe da instituição, Maurice Obstfeld.

No entanto, este impulso favorável “reflete uma confluência de fatores que provavelmente não durará muito”, deixou cair o mesmo responsável durante a apresentação da atualização intercalar do Panorama Económico Mundial (outlook). Este estudo só calibra as previsões para as principais economias do globo.

A partir de Davos, na Suíça, onde na terça-feira começa o Fórum Económico Mundial, a instituição liderada por Christine Lagarde, mostrou-se relativamente mais otimista quanto ao rumo da economia global e também à maioria das economias regionais. A comparação é feita com o outlook de há três meses (de outono).

O crescimento mundial deste ano e do próximo foi revisto duas décimas em alta, para os referidos 3,9% em ambos os anos.

O Fundo fala numa “boa notícia”, mas tem poucas certezas sobre se isto dura o suficiente. “Os líderes e decisores políticos devem ter consciência de que o atual impulso económico reflete uma confluência de fatores que provavelmente não durará muito”.

“Próxima recessão virá mais cedo e será mais difícil de combater”

“A crise financeira global pode parecer definitivamente ultrapassada, mas sem uma ação imediata para enfrentar as barreiras estruturais ao crescimento, aumentar os níveis de inclusão do crescimento e construir proteções de política e resiliência, a próxima recessão virá mais cedo e será mais difícil de combater”, avisou Maurice Obstfeld.

A zona euro recebeu uma promoção de três décimas nos dois anos em causa, devendo crescer 2,2% este ano, ainda que depois perca gás, até 2% de expansão do PIB em 2019.

A retoma da moeda única está um pouco tremida, na opinião do FMI. O Banco Central Europeu começou a reduzir a intensidade do seu programa de compra de dívida pública e outros ativos bancários, mas “também sinalizou que aumentos de taxas de juros são agora uma realidade mais distante”, observou Obstfeld.

A Alemanha, a maior economia deste grupo, lidera com um crescimento 2,3% este ano, para também perder força no ano seguinte (2%). Tem uma das maiores revisões em alta neste outlook: mais 0,5 pontos percentuais de crescimento em ambos os anos face às previsões de outubro.

França pode crescer 1,9% em 2018, Itália 1,4% e Espanha pode chegar a 2,4%, embora o crescimento deste ano tenha sido revisto em baixa ligeira. O FMI não explica porquê.

Reforma fiscal de Trump é boa, mas tem perna curta

Mas a menção honrosa vai, sem dúvida, para os Estados Unidos. O economista-chefe do FMI observou que “a recente legislação fiscal dos EUA contribuirá significativamente para o crescimento dos Estados Unidos nos próximos anos, em grande parte devido aos incentivos temporários e excecionais ao investimento”.

“Esse aumento de crescimento a curto prazo terá resultados positivos, embora de curta duração, para os parceiros comerciais dos EUA, mas também deverá aumentar o défice da balança corrente norte-americana, dar força ao dólar e afetar os fluxos de investimento internacionais.”

Assim, os EUA aparecem no estudo do FMI como a economia desenvolvida que mais vai crescer. Este ano avança 2,7% (mais 0,4 pontos percentuais do que se previa no outono) e depois abranda para 2,5%.

Brasil e China melhoram

Embora as revisões em alta sejam mais pronunciadas no chamado mundo desenvolvido, essas melhorias também tocam ao de leve algumas economias emergentes. É o caso do Brasil, cujo crescimento subiu quatro décimas face ao outono, para 1,9% este ano.

A China, também uma das maiores economias do mundo, cresce mais uma décima face ao outo, podendo chegar a um crescimento expressivo na ordem dos 6,6% este ano, indica o FMI.

Fonte: FMI

Fonte: FMI

(atualizado às 14h30)

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