FMI relativiza BES, diz que Espanha está pouco ligada a Portugal

Protesto contra privatização do Cajastur
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A economia espanhola não está assim tão ligada a Portugal e, portanto, não faz muito sentido comentar cenários que envolvam uma potencial falência bancária em Portugal, admitiu o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional para Espanha, na apresentação do estudo anual do artigo IV.

Numa conferência de imprensa na passada quinta-feira em Washington, dia em que as ações do BES foram suspensas da negociação em bolsa devido à grave crise que se abateu sobre o Grupo Espírito Santo, e que ameaça o BES, James Daniel tentou fugir a várias questões sobre o problema e suas eventuais repercussões em Espanha, economia
muito interligada com a portuguesa, quer a nível de trocas comerciais,
que no investimento.

No dia seguinte, o rating do BES foi despromovido pela Moody”s de Ba3 para B3 (do terceiro para o quinto nível do grau especulativo ou lixo).

Na quinta, o chefe de missão do FMI foi diretamente questionado por um jornalista sobre “quão robusta será [Espanha] no evento, por exemplo, de uma potencial falência de um banco no país vizinho”.

James Daniel respondeu que “não quero começar a especular sobre o que pode acontecer em vários cenários hipotéticos”, mas sublinhou que “o sistema bancário espanhol acabou de sair de um programa de grande sucesso para o sector financeiro em que o sistema foi submetido a uma revisão de qualidade dos ativos e a testes de stress muito exigentes”.

Desde o Outono de 2012, “os bancos [espanhóis] aumentaram capital e a macroeconomia tem sido amplamente positiva”. “Por isso, diria que o sistema bancário fez progressos significativos no seu fortalecimento e na preparação” para os testes do BCE.

Mas outro jornalista viria a insistir no mesmo tema crise do BES. “Quando olhamos hoje para os mercados vemos que tudo está a ir para baixo por causa de Portugal. O que está a acontecer?”

James Daniel recusou responder, dizendo que “estou aqui apenas para falar de Espanha e da análise que fizemos”. Mas quis acrescentar que “estamos aqui para falar de Espanha e, de facto, as duas economias não estão assim tão interligadas de uma perspetiva espanhola, em todo o caso”.

Só para se ter uma noção, Espanha é o maior mercado das exportações portuguesas, mas Portugal aparece como o terceiro maior destino das vendas espanholas de mercadorias, atrás apenas de França e Alemanha. Segundo dados oficiais, as exportações totais de Espanha para Portugal terão aumentado 15% em 2013, para 60 mil milhões de euros.

A presença de empresas espanholas no país (pequenas, médias e grandes) também é muito significativa e diversificada em termos sectoriais, para além dos muitos interesses financeiros e imobiliários do país vizinho cá. Espanha é o maior investidor direto estrangeiro na economia portuguesa.

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