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FMI revê projeções em alta mas alerta para investimento público

Christine Lagarde, diretora do FMI.  (Foto: REUTERS/Jacky Naegelen)
Christine Lagarde, diretora do FMI. (Foto: REUTERS/Jacky Naegelen)

FMI estima que em 2017 serão necessários 750 milhões de euros em medidas adicionais e recomenda que se acabe com a compressão do investimento público

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta as previsões para Portugal neste ano e no próximo, antecipando crescimentos de 1,3% tanto em 2016 e 2017. Em setembro, o FMI previa saltos de 1% nos dois anos.

Apesar da revisão do comportamento da economia, o Fundo apontou também que a economia portuguesa vai precisar de mais medidas para cumprir o défice em 2017, já que pelas suas contas as medidas já previstas no Orçamento do Estado ficam 750 milhões aquém do objetivo de Mário Centeno.

As novas perspetivas para Portugal foram ontem divulgadas com o comunicado sobre a quinta avaliação pós-programa do FMI. Apesar da melhoria das previsões, o fundo destaca que tal só se verifica nas projeções a curto prazo.

O crescimento que Portugal conseguiu no terceiro trimestre (1,6%) foi um dos aspetos destacados a justificar a revisão em alta, apontando que “a previsão a curto prazo para Portugal melhorou, desde logo, graças à aceleração das exportações do terceiro trimestre”. Mas o FMI ainda não identifica sinais de melhorias sustentadas.

“Para se concluir que há uma mudança sustentável para uma recuperação mais acelerada seria necessária a continuação de um crescimento forte e alargado”, lê-se no comunicado sobre a situação portuguesa. “Os riscos de curto prazo estão equilibrados. A previsão a médio prazo, contudo, permanece inalterada, dado o alto endividamento público e privado, a fragilidade da banca e a rigidez estrutural persistente”, diz o FMI.

A equipa de Subir Lall refere que apesar de a execução orçamental neste ano estar a correr bem, não está a correr como previsto: “O forte esforço das autoridades para conter o consumo intermédio e o investimento público bem abaixo dos objetivos orçamentais mitigou o impacto de receitas fiscais abaixo do estimado”, dizem os técnicos. Para o FMI, os cortes no investimento público não são um caminho em que se deva confiar.

Mais crescimento e menos défice

O crescimento no terceiro trimestre e a melhoria do mercado laboral, com a queda do desemprego para níveis anteriores à crise, levaram então o FMI a rever em alta as projeções para Portugal para 1,3%. Contudo, e ; dada a situação atual, a verdade é que pouco mais será possível crescer no futuro, também alertam. “Olhando mais além, o alto endividamento da economia e a rigidez da mesma vão conter o crescimento a cerca de 1,2% a médio prazo.”

O FMI prevê que as contas de 2016 devam fechar com um défice de 2,6% e uma dívida bruta equivalente a 131% do PIB. Já nas contas ao próximo ano, os cálculos do FMI não batem certo com os do governo. “O OE agora aprovado estima uma redução do défice para 1,6%. Mas de acordo com as medidas especificadas, prevemos um défice de 2,1% do PIB”, concluem.

Para que Centeno cumpra o objetivo de 2017, “será necessário um esforço estrutural adicional equivalente a 0,4% do PIB [c. 750 milhões]. Um esforço assente em reformas estruturais na despesa seria mais compensador do que a compressão do investimento público”, recomendam.

Em reação, o Ministério das Finanças apontou que esta revisão em alta do FMI veio comprovar “os progressos alcançados em áreas-chave”, prometendo em 2017 um ano de “gestão rigorosa das contas públicas”.

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