FMI: Vêm aí tempos "sombrios" e "todos sofrem"

"Prevemos que mais de 170 países sintam uma quebra de rendimento por habitante" em 2020. Kristalina Georgieva avisa, em inglês: "everybody hurts".

Os próximos tempos serão "sombrios" e "todos sofrem" . São palavras duras da chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, numa introdução às reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial, que decorrem, em modo virtual, entre 14 e 17 de abril.

Georgieva começa por desejar "o melhor para todos" nestes "momentos difíceis", mas vai logo ao essencial. "A Covid-19 interrompeu a nossa ordem social e económica à velocidade da luz e numa escala nunca vista". "O que era normal há algumas semanas, como ir à escola, trabalhar, estar com a família e amigos, agora é um risco enorme".

A diretora-geral do FMI considera que "o crescimento mundial vai ser fortemente negativo em 2020, como se verá no World Economic Outlook na próxima semana ". "Antecipamos as piores consequências económicas desde a Grande Depressão". Desde os anos 20 do século passado, desde o tempo que se seguiu às trincheiras da Primeira Guerra Mundial e à gripe espanhola, basicamente.

Kristalina Georgieva recorda que "há apenas três meses, esperávamos um crescimento positivo do rendimento per capita em mais de 160 dos países membros, em 2020". O FMI tem 189 sócios soberanos no total.

"Mas agora esse universo inverteu-se: prevemos que mais de 170 países registem uma quebra de rendimento por habitante" em 2020, garante a economista búlgara.

Esta "perspetiva sombria atinge todas as economias avançadas e em desenvolvimento. Esta crise não conhece fronteiras. Todos sofrem". Como em "Everybody hurts", uma música conhecida dos REM.

Georgieva continua depois com o que diz ser uma "notícia encorajadora". "Os governos agiram e, de facto, até houve uma coordenação significativa. O nosso Monitor Orçamental

irá mostrar que os países por esse mundo fora adotaram medidas no valor de cerca de 8 biliões de dólares". E até os mais pobres "estão a tomar medidas orçamentais e monetárias ousadas", acrescentou.

No entanto, "não há dúvida de que 2020 será um ano excecionalmente difícil".

"Se a pandemia desaparecer no segundo semestre - permitindo, assim, um alívio gradual das medidas de contenção e a reabertura das economias -, antevemos uma recuperação apenas parcial em 2021. Mas, novamente, sublinho que há uma grande incerteza nestas perspetivas: as coisas podem piorar, dependendo de muitos fatores, como a duração da pandemia". Em suma, "tudo vai depender das ações políticas que tomarmos agora".

Georgieva não o mencionou, mas, por exemplo, na zona euro, o Eurogrupo continua, a esta hora, num impasse preocupante para muitos.

A partir das 17h desta quinta-feira (9 de abril), o grupo de ministros das Finanças do euro, presidido por Mário Centeno, entra numa segunda ronda de negociações para tentar dar uma resposta forte e decisiva contra a crise do coronavírus. Uma segunda volta porque, anteontem, a primeira tentativa de entendimento entre os 19 países do euro, durou 16 horas e fracassou.

No final da "sombria" mensagem, a líder do FMI tenta compensar com algumas palavras de esperança. Cita Vítor Hugo: “Os grandes perigos têm essa beleza, iluminam a fraternidade entre estranhos”.

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