Inovação

FOOTure. A Indústria 4.0 está em marcha no calçado

Procalçado (Portugal). Fotografia: Leonel de Castro / Global Imagens
Procalçado (Portugal). Fotografia: Leonel de Castro / Global Imagens

São 50 milhões de euros para a inovação. Calçado quer ser líder mundial na "sofisticação do produto" e na "resposta rápida"

A indústria portuguesa do calçado quer ser “líder mundial” na relação com os clientes, através da “sofisticação do produto, da resposta rápida e ao nível de serviço”. E, para isso, desenvolveu um roteiro da inovação no setor, o FOOTure 4.0, com investimentos de 50 milhões de euros que apresentou esta sexta-feira, no Centro Tecnológico do Calçado (CTCP), em São João da Madeira, numa sessão presidida pelo primeiro-ministro.

António Costa destacou o setor como “um dos melhores exemplos, se não o melhor”, da importância da inovação no desenvolvimento do país. “A indústria do calçado soube reinventar-se e hoje o calçado que produzimos não é o calçado em que deixamos de ser competitivos há 20 anos, é um calçado de elevado valor acrescentado e onde a excelência da nossa produção voltou a fazer desta indústria uma das principais indústrias exportadoras nacionais e um modelo de competitividade”, defendeu o primeiro-ministro.

Costa falava aos jornalistas na Procalçado, a empresa de Vila Nova de Gaia que nasce como produtora de solas de borracha para terceiros, mas que acabou por evoluir para a produção de sapatos de injeção, lançando a Wock (calçado profissional) e a Lemon Jelly, uma das marcas portuguesas com maior projeção internacional. E que, segundo o seu CEO, investiu mais de 10 milhões de euros desde 2008 e mais do que triplicou o número de colaboradores, dando, atualmente, emprego a mais de 400 pessoas.

E o grupo serviu de exemplo ao primeiro-ministro para ilustrar o caminho de inovação no setor, destacando que a empresa “compreendeu que a experiência adquirida no trabalho da sola permitia fazer um novo caminho, da sola normal para a sola técnica e do material plástico e de borracha na sola para o conjunto do sapato, criando um produto de alta qualidade e com grande valor no mercado”.

Mas foi no centro tecnológico do calçado que as linhas gerais do FOOTure 4.0 foram dadas a conhecer, um programa liderado pela associação do calçado, a APICCAPS, envolve “mais de 70 entidades, entre empresas, startups, universidades, centros de inteligência e entidades do sistema cientifico e tecnológico”. Em termos práticos, o Roteiro do Cluster do Calçado para a Economia Digital conta com 14 medidas, distribuídas por quatro eixos estratégicos: Inovação da Experiência do Cliente; Fabrico Inteligente; Qualificação e Liderança Setorial.

A indústria tem um grau “ainda relativamente limitado” de contacto com os clientes finais, o que acarreta implicações em matérias como o desenvolvimento dos produtos e a definição de estratégia comerciais e promocionais. “As ferramentas da Indústria 4.0 vêm abrir novas oportunidades de atuação neste domínio”, destaca a APICCAPS, sublinhando que o FOOTure 4.0 prevê o apoio, entre outros projetos, “ao desenvolvimento de novos modelos de negócio, à utilização de estratégias omnicanal e à adoção de processos de cocriação com o cliente”.

Já no eixo 2, o objetivo é a “adoção de tecnologias e processos destinados a aprofundar a produção rápida e flexível”, promovendo transformações ao nível do desenvolvimento do produto e prototipagem eficiente, a reformulação da cadeia de valor em termos mais colaborativos e sustentáveis e, genericamente, a digitalização dos processos.

No âmbito da qualificação, a indústria pretende “atrair jovens e criar novas competências”, qualificando a gestão de topo e promovendo o empreendedorismo qualificado. Por fim, o eixo 4 “contempla toda a coordenação do plano de ação e as ações de benefício coletivo como a inteligence ou a promoção da imagem coletiva de uma indústria ou cluster”, a cargo da APICCAPS e do centro tecnológico.

Na visita ao CTCP, o primeiro-ministro pode conhecer algumas startups envolvidas no roteiro para a Indústria 4.0 do calçado, como a Feet It, empresa que se dedica ao desenvolvimento de aplicações móveis para medição de pés e formas, que lhe permitem fazer recomendações de tamanho e de fitting, aplicando “algoritmos de machine learning e ferramentas de inteligência artificial para otimizar a experiência de compra dos consumidores, aumentando vendas e reduzindo as devoluções relacionadas com problemas de tamanho e conforto”.

A Undandy, que fornece sapatos personalizados para homem, através de uma compra online em que o cliente pode escolher desde o modelo, a cor ou o material, e a And I Wonder, que faz sapatos à medida para noivas, são outras das empresas que deram a conhecer as suas inovações. E há, também, a Olives, marca “inovadora e eco-friendly” que desenvolveu calçado personalizado a partir de uma nova matéria-prima, o feltro.

O sucesso da fileira tem atraído uma nova geração de talentos e estes são alguns desses exemplos. Desde 2010, nasceram 386 novas empresas. “Uma nova geração que procura colocar o calçado português numa nova dinâmica internacional”, destaca a APICCAPS. Recorde-se que a indústria está presente em mais de 150 países do mundo, tendo exportado, em 2017, quase 84 milhões de pares de sapatos no valor de 1965 milhões de euros, novo máximo histórico e que representa um crescimento de 2,8% face ao ano anterior.

 

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