INE

Foram criados 286 mil empregos desde o arranque da geringonça

Entre 2016 e 2017, foram criados 172 mil empregos, maior aumento dos registos do INE, que remontam ao final dos anos 90. Desemprego abaixo de 8% em dezembro.

A criação de emprego em 2017 deverá ser a maior dos últimos 19 anos (entre o final de 1998 e de 2017), pelo menos. E nos dois primeiros anos da atual legislatura, que começou em outubro de 2015 (governo PS com apoio parlamentar de CDU e BE, a chamada geringonça), houve um acréscimo de 286 mil postos de trabalho, em termos líquidos, em Portugal.

De acordo com dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE) até dezembro do ano passado, o ritmo de criação de emprego foi de 3,7% face a igual mês de 2016, o mais alto nos registos.

Estas séries mensais do INE remontam ao início de 1998, sendo possível calcular variações homólogas desde fevereiro de 1999.

Do mesmo modo, a nova informação, ontem divulgada, também sugere que a taxa de desemprego de 2017 (média dos 12 meses) deverá ficar abaixo de 9% da população ativa.

Ou seja, será melhor do que diz o governo no Orçamento do Estado (9,2%) para 2018. As estimativas mais recentes são as do Banco de Portugal e do FMI, e apontam para 8,9%.

É muito provável que venha a ser até ligeiramente inferior. Ontem, o INE avançou que a estimativa provisória relativa à taxa de desemprego em dezembro (daqui a um mês sairá a definitiva) caiu de forma significativa para 7,8%.

Desde meados de 2004, há praticamente 14 anos, que a intensidade do desemprego não era tão baixa, indicam as séries.

O valor de novembro é definitivo: o INE reviu a taxa em menos uma décima de ponto percentual. Ficou em 8,1%.

Há mais recordes que foram batidos. Portugal teria no final de dezembro cerca de 401,5 mil pessoas sem trabalho, menos 119 mil casos do que no final de 2016.

Cálculos com base nos dados divulgados indicam que a quebra homóloga implícita do desemprego é de 23%, a maior de que há registo nas séries mensais.

As cifras definitivas do INE mostram ainda que o desemprego jovem, embora relativamente elevado, está a descer de forma equiparada ao desemprego total. A taxa desceu para 22,1%, o valor mais baixo desde meados de 2008, quase dez anos.

No último mês do ano haveria perto de 82,1 mil jovens sem trabalho, menos 14% face a dezembro de 2016. São menos 14 mil casos.

Muito emprego, muito turismo, mas com sinais precariedade

O desemprego está a recuar e isso pode ser explicado pela retoma da economia. Em termos de mercado de trabalho, um dos sectores mais dinâmicos tem sido o turismo, muito intensivo em mão de obra e com salários relativamente baixos ou contidos.

Recentemente, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, em entrevista ao Dinheiro Vivo, apontou para a forte competitividade turística do país. O sector aparece como o segundo motor do aumento das exportações em 2017, sendo quase tão importante quanto as indústrias metalomecânica, de máquinas, automóvel e química juntas.

Como referido, a economia terá conseguido criar mais de 172 mil postos de trabalho (em termos líquidos) face a igual mês de 2016, o que dá a tal expansão recorde de 3,7%. O país terá quase 4,8 milhões de trabalhadores. Destes quase 20 mil empregos são jovens.

Mas também há fortes indícios de que esta nova criação de emprego assenta, em boa parte, em trabalhos mais precários, a prazo, e com salários mais modestos.

Um estudo recente do CES Lisboa mostrou que estará em curso na economia portuguesa uma tendência clara de desvalorização dos salários dos vínculos mais seguros (novos contratos a efetivo, permanentes) e de forte aumento nos ordenados dos novos contratos ditos precários (a prazo e outras formas).

Estes últimos, além de dominarem em número, estão a tomar conta da realidade em muitos sectores. Atividades ligadas ao turismo ou que exigem poucas qualificações, por exemplo.

O primeiro-ministro, António Costa, reagiu bem aos números do INE. Citado pela Lusa disse que “é mais um passo positivo”, que o governo “tem de dar continuidade às boas políticas que tem seguido”, mas insistiu que o desemprego ainda está alto, “tem de baixar mais”.

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