Habitação

Foram vendidas 500 casas por dia em 2018

(Leonardo Negrão/Global Imagens)
(Leonardo Negrão/Global Imagens)

Há pelo menos dez anos que não eram vendidas tantas casas em Portugal. Compra de habitações por estrangeiros continua em alta.

É definitivo. O setor imobiliário fechou as portas à crise e deitou a chave fora. A compra de casas em Portugal está em alta e no ano passado voltou crescer entre 15% e 20%. Entre janeiro e dezembro de 2018, terão sido vendidas cerca de 180 mil casas, mais 25 mil do que no ano anterior. As estimativas foram avançadas ao Dinheiro Vivo pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Os números finais só serão apresentados em março pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mas no último trimestre de 2018, o que ainda falta contar, o ritmo de vendas terá sido semelhante ao do resto do ano. Até setembro foram vendidas 132 mil casas, com o segundo e terceiro trimestres a superarem a marca das 45 mil transações. Segundo as previsões da APEMIP para o conjunto do ano, o total de vendas terá oscilado entre as 176 mil e as 183 mil habitações. Mais do que 2013 e 2014 juntos. Por dia, foram vendidas cerca de 500 casas em Portugal.

O número é o mais elevado desde, pelo menos, 2009, ano a partir do qual estão disponíveis as séries do INE. A tendência bate certo com o aumento da concessão de crédito à habitação pelos bancos. Até novembro do ano passado, o financiamento da compra de casas atingiu os 8,9 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2010.

As imobiliárias confirmam que as famílias portuguesas regressaram em força ao mercado, à boleia da recuperação da economia e da torneira aberta dos bancos. A JLL, por exemplo, vendeu 50 casas novas em Carnaxide em 48 horas a compradores portugueses.

Mas à semelhança do que acontece desde 2012, ano da criação dos Vistos Gold, os estrangeiros continuaram a açambarcar uma fatia larga do mercado imobiliário em Portugal. Também segundo a APEMIP, terão representado 20% das vendas de casas no ano passado. Traduzido em números, os estrangeiros compraram cerca de 35 mil casas em Portugal em 2018. Houve, no entanto, uma queda ligeira face a 2017, ano em que os compradores internacionais tomaram conta de 25% do mercado. “A percentagem não se deve ao decréscimo do investimento estrangeiro, mas ao aumento da representatividade do mercado interno”, explica Luís Lima, presidente da APEMIP.

Brasileiros e, sobretudo, franceses continuam a ser as nacionalidades que mais procuram casa em Portugal. “Cidadãos destes países têm apostado um pouco por todo o país e nota-se verdadeiramente uma descentralização do investimento para fora das principais cidades. Por outro lado, continua a haver uma manutenção das transações feitas por cidadãos britânicos, que preferem, tal como é tradicional, a região algarvia”, conta Luís Lima.

Em 2019 as imobiliárias preveem que as vendas continuem a aumentar, tal como os preços. Em novembro, a avaliação bancária das casas atingiu os 1215 euros por metro quadrado, o valor mais alto desde que há registo.

Já a APEMIP prefere, “pela primeira vez”, não avançar com previsões para 2019, porque é “difícil prever as flutuações deste mercado”, justifica Luís Lima. “O mercado imobiliário continua a ter todas as condições para continuar a crescer, e é o que acreditamos que aconteça, ainda que se possa assistir a uma ligeira desaceleração do crescimento, que também é natural. Por outro lado, o facto de este ser um ano de eleições deixa o mercado apreensivo, o que poderá ter algumas repercussões. De qualquer modo, se tudo se mantiver como está e se não forem tomadas nenhumas medidas que possam influenciar negativamente o bom momento deste setor, acredito que a rota de crescimento se mantenha”, conclui o presidente da APEMIP.

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