Fosso salarial entre precários e efetivos cada vez maior

Manifestação contra a precariedade
Manifestação contra a precariedade

A crise não deixou só milhares e milhares de pessoas, sobretudo jovens, sem trabalho. Agravou também o fosso salarial entre os trabalhadores efetivos das empresas e aqueles que têm contratos a prazo.

Em 2011, um trabalhador com contrato a prazo ganhava, em média, 662 euros por mês, menos 191 euros (-22,4%) que um trabalhador efetivo; no primeiro trimestre deste ano, de acordo com os números do último Inquérito ao Emprego do INE, o salário médio dos trabalhadores precários caiu para 641 euros, 230 euros abaixo do que ganhou um trabalhador do quadro. São menos 26,4%.

“Aproveitou-se o momento da crise e a flexibilização laboral imposta pela troika para fazer uma desvalorização salarial. A contratação é agora mais barata”, acusa João Camargo, dos Precários Inflexíveis.

E esta redução salarial pode andar, desde 2010, entre os 300 e 400 euros em cargos de topo numa empresa, refere o economista Eugénio Rosa. “Muitas empresas aproveitaram para despedir os trabalhadores séniores e com salários mais altos e substituí-los por mais jovens, licenciados, com salários mais baixos e muitas vezes a prazo.”

Os números publicados pelo INE mostram, no entanto, que houve até um crescimento do salário médio no último ano – tinha caído para 808 euros em 2013; subiu para 813 euros em 2014 e, nos primeiro três meses deste ano, já vai nos 824 euros. A explicação poderá estar na reposição dos subsídios de férias e de Natal e na reversão de 20% dos cortes salariais na função pública.

João Camargo não tem dúvidas. “A geração 500 euros existe mesmo e estas pessoas não têm capacidade para sobreviver sem ajudas de familiares, não conseguem pagar casa, transportes”, diz, acrescentando que “25% dos trabalhadores precários são pobres. A recuperação económica tem sido feita à custa do trabalho precário, com salários muito abaixo do limite da autossuficiência.”

O número de trabalhadores com contrato sem termo aumentou para 2,867 milhões no final do primeiro trimestre deste ano, mais 3,1% do que há um ano; mas os contratos a prazo aumentaram 5,9%, abrangendo já 645 500 trabalhadores.

“Diz-se que a sustentabilidade da Segurança Social está em risco por causa dos velhos. Mas não é bem assim. A base salarial de descontos é que é cada vez mais baixa. Uma grande parte tem emigrado e a que fica desconta pouco para a Segurança Social porque ganha muito pouco”.

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