Património Mundial

Foz Côa. Passadiços e hotel reforçam oferta turística

Para João Paulo Sousa, vice-presidente da Câmara de Foz Côa, o concelho são as gravuras, mas também o vinho, a amêndoa e o azeite. FOTOGRAFIA: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens
Para João Paulo Sousa, vice-presidente da Câmara de Foz Côa, o concelho são as gravuras, mas também o vinho, a amêndoa e o azeite. FOTOGRAFIA: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens

Foz Côa tem em curso investimentos que aliam a promoção das gravuras rupestres aos recursos únicos da região. Captar mais turistas é o objetivo

As gravuras já sabem nadar e Foz Côa quer agora captar o interesse dos mais de 40 mil turistas anuais atraídos pela arte rupestre paleolítica para os recursos únicos da região. “Somos o único concelho com a marca de dois patrimónios mundiais – as gravuras e o Alto Douro Vinhateiro -, e temos produtos de excelência como o vinho, a amêndoa, o azeite e o xisto, que queremos direcionar para o turismo”, sublinha João Paulo Sousa, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa.

O objetivo está definido e a estratégia delineada. A autarquia quer dar mais aos turistas e para isso vai investir quase dois milhões de euros. Um dos projetos que estão em desenvolvimento é a criação da rede de Passadiços do Côa, um investimento de meio milhão de euros e que deverá estar operacional no próximo ano. O plano é construir um canal para os turistas descobrirem a pé o vale do Côa. Em simultâneo, está a preparar a reabilitação de uma propriedade na zona histórica da cidade para ser adaptada a um pequeno hotel e a espaço de exposições.

A Foz Côa Story House, que irá albergar sete quartos, destina-se especialmente a local de exposição e promoção dos produtos da região. O investimento ronda 1,2 milhões e deverá receber apoio de 400 mil euros do Fundo do Turismo. O autarca garante que ainda neste ano arrancam as obras, até porque a edilidade tem “saúde financeira, é uma câmara sem dívidas”.

Produtos únicos
A porta de entrada no concelho são as gravuras e, tal é a sua notoriedade, que muitos dos visitantes perdem a perceção de estar nas terras onde é produzido o mítico vinho Barca Velha. O Douro Superior tem conhecido um forte investimento das casas vinícolas, sendo o vinho do Porto, designação que o autarca emenda para vinho generoso, soberano nestas terras. Como refere, temos 6000 hectares de vinha no concelho e 4300 são de vinho generoso. Certo é que a autarquia não beneficia deste capital, já que as grandes empresas têm a sua sede em outras paragens.

A amêndoa é outra das riquezas naturais deste território, cuja população não chega aos sete mil habitantes. Foz Côa já conseguiu angariar a fama de Capital da Amendoeira em Flor quando, por um período de três semanas, entre fevereiro e início de março, a paisagem se forra de rosa e branco. É uma época alta para o concelho e que João Paulo Sousa pretende que seja potenciada por projetos empreendedores que ofereçam mais-valias à amêndoa, criem riqueza e ajudem a fixar as populações.

O azeite da região, que assegura ser o que tem o menor grau de acidez da Península Ibérica, já foi reconhecido pelos investidores vinícolas que agora aliam a produção de vinho à de azeite. Embora o grande volume seja canalizado para a adega cooperativa, há já empreendedores a criar as suas marcas e a “conseguir entrar no mercado nacional de forma significativa”, adianta o autarca.

O xisto faz parte da paisagem e é a matéria-prima dos esteios das vinhas no Douro. “É um dos recursos únicos do mundo, que se confunde com a história” da região vinícola e que hoje tem na exportação o seu sustentáculo. Há quatro empresas de extração no concelho, que são das principais empregadoras, e que vendem a pedra para as indústrias da construção e decoração.

Para se afirmar no mapa do turismo, Foz Côa promove ao longo do ano vários eventos ligados ao património agrícola e cultural. É o festival de vinho do Douro Superior, as festas das amendoeiras em flor, o Côa Summer Fest, o Cinecôa ou o festival de poesia que procuram atrair mais visitantes para a região habitada desde os tempos do Paleolítico.

Côa Parque. Do Paleolítico à realidade aumentada
A Fundação Côa Parque tem em curso um conjunto de projetos para atrair mais visitantes ao museu e ao parque arqueológico. Segundo Bruno Navarro, presidente da fundação, está a ser feito um trabalho para assegurar que mais operadoras de cruzeiros no Douro façam uma paragem no local. Afinal, todos os anos transportam 300 mil turistas pelo rio. Foram adquiridas canoas para visitas ao parque por via fluvial e está a ser desenvolvida uma aplicação que, com o apoio de óculos de realidade aumentada, permitirá visionar momentos da vida do homem paleolítico.

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