Franquelim Alves era paquete na Ernst & Young aos 16 anos

Franquelim Alves apontado testemunha
Franquelim Alves apontado testemunha

A Ernst & Young Portugal confirma que o novo secretário de Estado do Empreendedorismo, Franquelim Alves, entrou na consultora com 16 anos para desempenhar funções de “auditor júnior”. Na altura este cargo era o equivalente ao que hoje se chama moço de recados ou paquete.

O Governo, no portal oficial, diz que Alves foi entrou como “auditor e consultor” na E&Y, mas segundo apurou o Dinheiro Vivo essa informação não está correta. No início dos anos 70 do século passado, ser “auditor júnior” neste ramo era, grosso modo, ser “moço de recados”, “paquete”, “tarefeiro”. Ser consultor, na aceção atual, exigiria uma progressão muito maior na carreira e mais habilitações e experiência, algo tecnicamente impossível para um adolescente de 16 anos, como o secretário de Estado na altura.

“A Ernst & Young Portugal vem informar que o Dr. Franquelim Alves, atual Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, se juntou em 1970 como junior auditor (designação à altura) à Barton Mayhew & Cia, uma das firmas de auditoria na génese da actual Ernst & Young”, refere a empresa em comunicado.

Assim sendo, o novo secretário de Estado do Governo de Pedro Passos Coelho começou logo a desempenhar cargos de auditoria e de consultoria em 1970, nove anos antes de ter concluído a sua licenciatura em Economia no ISEG, então chamado Instituto Superior de Economia, segundo uma versão do curriculum do próprio.

O curriculum atualizado, publicado no portal do Governo,diz que Franquelim Alves foi mais do que um mero auditor júnior. “Iniciou a sua carreira, em 1970, como auditor e consultor da empresa internacional Ernst & Young”.

Franquelim Alves, que entretanto foi administrador no universo SLN/BPN e presidente do IGCP (agência da dívida pública), saiu da Ernst & Young em 1989.

“Quando deixou a Ernst & Young, em 1989, o Dr. Franquelim Alves desempenhava o cargo de partner nos serviços de consultoria de gestão”, refere o braço nacional da consultora global, uma das maiores do mundo.

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