Corrupção

Fraude. 18% dos portugueses diz já ter sido vítima

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Há um novo índice para avaliar a perceção da fraude. 70% dos inquiridos acreditam que a corrupção é grande ou muito grande

Já teve contacto com a fraude? Cerca de 18% dos portugueses garantem que sim, que já foram alvo de algum tipo de procedimento fraudulento, número que é mais significativo entre os homens (22%) do que entre as mulheres (14%). De entre os inquiridos do Observatório de Economia e Gestão de Fraude, 15% garante, ainda, que os seus familiares foram alvo de algum tipo de fraude e 16% indicam que foram os amigos as vítimas dessa situação.

Os dados, apresentados esta quinta-feira na Faculdade de Economia e Gestão da Universidade do Porto (FEP) são do novo Índice de Perceção de Fraude (IPF) em Portugal, a que o Dinheiro Vivo teve acesso. Segundo o qual, para 70% dos portugueses, a corrupção e o suborno são um fenómeno “grande ou muito grande” no país. Dados que não surpreendem Óscar Afonso, professor da FEP e presidente do Observatório, não se se tivermos em conta que a economia não registada em Portugal anda à volta dos 27%. “Estes números têm que vir de alguma lado”, diz.

Segundo o trabalho, “81% das pessoas inquiridas” tem a perceção que, em termos gerais, “a fraude aumentou ou aumento muito no último ano”. O que não é dissociável do impacto da comunicação social. A maioria dos inquiridos considera que o destaque atribuído ao tema aumentou (58%) ou aumento muito (13%) no último ano.

“A comunicação social tem dado grande impacto à fraude, com notícias relacionadas com a banca e com ex-governantes, e isso manifesta-se na perceção das pessoas. Basta ver que essa perceção é maior nas domésticas do que nos estudantes que são o grupo que, à partida, tem maior disponibilidade para ver televisão”, diz Óscar Afonso.

Por outro lado, metade dos portugueses assume acreditar pouco na eficácia da Justiça neste domínio: 33% dos inquiridos dizem que a eficácia do sistema de justiça no combate à fraude é pequena e 19% consideram mesmo que “é muito pequena”. Em termos regionais, saiba que a maior perceção de fraude ocorre no interior norte e centro e em todo o sul do país.

A corrupção e o suborno e a fraude fiscal são, dizem os portugueses, os crimes deste tipo com maior dimensão em Portugal, situando-se ambos nos 3,8 num escala de 1 a 5. E é, sobretudo, no que à corrupção e suborno diz respeito que a perceção de aumento destes fenómenos é maior, com 50% dos inquiridos a dizerem que a corrupção e o suborno em Portugal são uma realidade “grande” e 20% a defender que são um fenómeno “muito grande”.

Saiba, também, como garantir a sua cibersegurança

Constituído em novembro de 2008, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude é uma associação de direito provado sem fins lucrativos que pretende promover a investigação sobre a economia paralela e a fraude em Portugal, nos contextos europeus e mundial, bem como promover o ensino sobre estas temáticas. Criou já o índice de Economia Não Registada (ENR) em Portugal, que atualiza anualmente, e propõe-se, agora, criar o Índice de Perceção de Fraude no país. Os resultados do primeiro ano de avaliação foram esta quinta-feira apresentados, sendo que 2016 servirá de base para avaliar a tendência nos anos seguintes.

Para composição deste novo índice, foi realizado um questionário com 32 questões relativas à evolução geral da fraude, os seus vários tipos, o destaque que o tema merece na comunicação social, o tamanho atual da fraude e a eficácia da justiça no combate a este tipo de comportamentos, o contacto dos inquiridos com a fraude e os tipos de vítimas de procedimentos fraudulentos. O inquérito, realizado a 1210 pessoas segundo variáveis que “garantem uma distribuição da amostra em relação à popuilação portuguesa em geral”, incluiu, ainda, 15 questões sociodemográficas.

Os dados recolhidos em 2016 vão servir para criar o índice 100, de modo a que, nos anos seguintes, seja possível ir verificando a evolução da perceção da fraude na sociedade portuguesa.

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