Coronavírus

Frezite contra protecionismo da UE aos mercados asiáticos

José Manuel Fernandes, fundador e presidente do grupo FREZITE.
( Global Imagens )
José Manuel Fernandes, fundador e presidente do grupo FREZITE. ( Global Imagens )

José Manuel Fernandes diz que a UE tem privilegiado mercados asiáticos “em detrimento dos países do sul”, por exemplo.

O fundador e presidente da Frezite, José Manuel Fernandes, disse, nesta terça-feira, que a União Europeia (UE) privilegia fornecedores asiáticos “em detrimento” dos europeus e pediu igualdade de tratamento para as empresas das duas regiões.

Numa intervenção no ‘webinar’ promovido pela AIP (Associação Industrial Portuguesa), no âmbito do ciclo ‘E depois de pandemia’, desta vez focado na metalomecânica e tecnologias de produção, o empresário referiu que a “globalização tem estado mascarada de protecionismo” no que diz respeito a “algumas origens”.

Para o líder do grupo industrial, a UE tem privilegiado mercados asiáticos “em detrimento dos países do sul”, por exemplo.

“Hoje, perante uma situação pandémica [da covid-19], temos uma série de fatores críticos”, salientou José Manuel Fernandes, destacando que visitou empresas que “dependiam de coisas da China” e estavam agora com dificuldades, por quebra nas cadeias de abastecimento.

“A Europa entregou muitos pontos em cadeias de valor à Ásia a troco de alguma coisa que alguém recebeu, mas que não foram os países do sul”, lamentou o empresário.

O presidente do grupo deu um exemplo: “Para exportar conjuntos de tecnologia avançada para a China o meu importador é penalizado com 35% e os produtos deles para cá pagam 5%”, lamentou.

De acordo com o empresário, “os próximos tempos irão depender muito da reação e abertura dos mercados externos”, alertando ainda que não gostava de ver uma “desvalorização” dos parceiros europeus face a mercados como a América Latina ou Ásia, que disse serem os preferidos de “alguns teóricos”.

No mesmo ‘webinar’, Sandra Maximiano, professora no ISEG, salientou que, neste momento, talvez a “indústria tenha uma oportunidade acrescida de voltar a uma maior ribalta”.

Para a docente, o papel da indústria “é fundamental e pode ser cada vez mais”, mas faz ainda falta “um plano de atuação o mais setorial possível, em que se pense de forma micro e em que se mostre os problemas que cada indústria enfrenta”.

Sandra Maximiano destacou também a importância de um trabalho mais consistente de parceria entre a indústria e as instituições de ensino.

“A universidade está habituada a este trabalho pontual com a indústria, mas não existe uma relação de construção de um projeto comum”, realçou.

“É preciso menos receios”, apelou a professora, dando o exemplo do que acontece nos EUA, em que “as pessoas não se desligam completamente da universidade, a ligação é para a vida”, o que facilita parcerias mais tarde.

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